O JornalDentistry em 2017-6-20

CONVIDADO

Os sorrisos de Buda e Madre Teresa

“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A Paz começa com um sorriso. Sorria pelo menos cinco vezes por dia para as pessoas a quem você normalmente não daria um sorriso...”.

A frase pertence a Madre Teresa de Calcutá, a santa cató- lica e prémio nobel da Paz em 1979. De entre as várias distinções e reconheci- mentos pelo seu carinho e humanidade, também lhe foi atribuído, em 1980, o título de Doutoramento honoris causa em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma. Este gesto simbólico pretendeu indicar o sentido último do esforço do estudo e de pesquisa nos diversos campos da ciência, isto é, o sentido de um serviço à humanidade, animado pelo amor, capaz de suscitar a chama da esperança no mundo. Beatificada em 2003 e canonizada em 2016, foram-lhe reconhecidos pelo Vaticano milagres na área da saúde, tais como a cura espon- tânea de um tumor no estômago de uma mulher indiana e a recuperação de um estado comatoso num homem brasileiro com graves afeções cerebrais. Por estes feitos, é considerada por muitos como a grande missionária 
do século XX. 
Na religião budista, as Brahmaviharas são os quatro elementos capazes de curar as doenças da raiva, mágoa, insegurança, tristeza, ódio, solidão e das ligações pouco saudáveis. São eles o amor (maitri), a alegria (mudi- ta), a equanimidade (upeksha) e a compaixão (karuna). Compaixão deriva do composto “com” (juntamente) e “paixão” (sofrer) e para ser desenvolvida precisa da prática da respiração consciente e da escuta e observação atentas. É o caso do sorriso de Buda. Como é que Buda consegue apresentar um sorriso tão sereno se o mundo se encontra tão cheio de sofrimento? A resposta é que o sofrimento não o derrota, pois possui o conhecimento, a calma e a força suficientes para saber lidar com ele e ajudar a transformá-lo. 
O contrário da tristeza e da depressão não se encontra na não-tristeza e na não-depressão. Está na cidadania e na valorização da vida humana em geral e de cada indivíduo no contexto do seu grupo em particular. Os médi- cos dentistas e todos os profissionais de saúde podem, para além da sua ação técnica, dar conforto, confiança, destruir a dúvida e abrir a porta do alívio e libertação da dor. Por vezes, basta uma simples palavra, ação ou pensamento. Através da orientação correta do seu sentido de missão, valores e competências, cada um de nós pode trazer aos outros alegria e uma sensação de plenitude que vai muito para além da presença dos 32 dentes.

Texto: Fernando Arrobas, médico dentista - fernando.arrobas@jornaldentistry.pt
Ilustração: Diogo Costa - dcosta_4@msn.com

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