O JornalDentistry em 2018-10-04

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A Medicina Dentária Portuguesa precisa de continuar a alargar horizontes

O contacto com outros colegas, outros centros de ensino, seja a nível nacional ou no estrangeiro, envolve sempre um aumento de amplitude de horizontes profissionais e de relações humanas.

Prof. Doutor Gil Alcoforado, Médico Dentista, Reitor do Instituto Universitário Egas Moniz

A abertura de espírito que se nos opera quando viajamos com um objetivo profissional é de enorme  importância, muitas das vezes, bem mais importante que a própria ciência que é aprendida.

No título coloquei a palavra “continuar” pois é evidente que, nestes últimos vinte a trinta anos,  tem havido um enorme aumento da vontade dos médicos dentistas e aos aspirantes à profissão – leia-se  “alunos de medicina dentária” – de viajar com o intuito  de ir buscar ao exterior algo diferente. Digo  “diferente” e não de “melhor” já que  também é evidente que o ensino da medicina dentária deu um passo 
gigante na qualidade de ensino a nível europeu. Disso tem sido o reflexo do sucesso dos colegas que têm  emigrado e do aumento de palestrantes portugueses em congressos de grande qualidade tanto na Europa como  por esse Mundo fora. Tem sido com grande alegria que tenho constatado a presenca de muitos jovens médicos
 dentistas em fóruns importantes, bem como em congressos de renome internacional, associados a grandes  nomes da medicina dentária mundial. No entanto, esse gosto, e também esse sacrifício que todos esses jovens  tiveram que fazer após o término dos
seus estudos de licenciatura ou mestrados, pode e deve ser condicionado no decurso dos estudos pré-graduados pelas Instituições de Ensino. Esse condicionamento tem que ser bem dirigido pelos docentes, a vários níveis. Em primeiro lugar, na abertura de “apetite” para a mobilidade durante o curso. Graças a programas como o Erasmus, é possível criarem-se as melhores condições para que o estudante passe um ou dois semestres numa Instituição estrangeira com a qual a Instituição Portuguesa tenha estabelecido o respetivo protocolo ou convénio.
É necessário identificar Instituições que possam receber os nossos estudantes e possam ajudar a abrir-lhes as mentes, ajudando-os a “crescer” não só sob o ponto de vista científico, mas também sob o ponto de vista humano. Se olharmos para aquilo que está publicado sobre as razões que levam os estudantes a deslocarem-se para outro país ao abrigo de um programa tipo Erasmus, encontramos várias, nomeadamente: o desejo de ser exposto a uma diferente cultura, ao modo
de vida e a diferentes métodos de aprendizagem. No entanto, este tipo de deslocações terá que ser bem planeada e bem focalizada, não só no objetivo, mas também no local escolhido. Para que essa escolha venha a ser um sucesso, os docentes têm que olhar para a compatibilidade de programas de modo a que o aluno não perca muitas matérias do programa da casa-mãe. Essa
compatibilidade total é quase sempre impossível de obter. Esse problema torna imprescindível um esforço acrescido dos docentes para alguma recuperação de matérias que têm de ser dadas ao estudante que regressa de um programa de intercâmbio dessa natureza. No entanto, tem de ser realçado o valor e a importância que esse alargamento de horizontes trouxe para esse indivíduo.
Na minha opinião, e para que isso aconteça, é necessário escolher uma instituição que seja num país suficientemente diferente do nosso para que haja mudanças de paradigmas, não só a nível universitário, mas também a nível da vida do dia-a-dia deste futuro médico dentista.
Para o estudante, e caso tudo seja bem planeado e bem-sucedido, será uma experiência que lhe mudará o conceito de vida para sempre; por outras palavras, uma experiência extraordinariamente enriquecedora, tanto sob o ponto de vista profissional, mas ainda mais sob o ponto de vista humano. As universidades têm uma responsabilidade que vai muito para além da transmissão de conhecimentos. Claro que essa função deve ser feita da melhor forma possível ao utilizar os métodos mais adequados e modernos. No entanto, a verdadeira função da universidade é preparar o estudante para a vida na sociedade, alargando-lhe os horizontes e ajudá-lo a saber pensar, mas nunca o que pensar; numa palavra, educá-lo.
A mobilidade dos docentes e dos clínicos é de primordial importância pois também eles necessitam de alargamento de horizontes e de uma constante reciclagem. Com a velocidade da evolução da ciência e das técnicas na medicina dentária, é imperioso que todos nós procuremos quem saiba mais e execute melhor para aprendermos com esses colegas e possamos trazer de volta esses ensinamentos para os disseminar junto aos nossos pares. Com o processo de globalização, a mobilidade aumentou e está muito facilitada. Também a aprendizagem pela internet veio ajudar à nossa expansão de conhecimentos. No entanto, há determinadas áreas que necessitam, ou
são mais bem apreendidas, quando existem fatores presenciais, relevando-se a importância da formação contínua e profissional realizada através da universidade, sociedades científicas e/ou atribuição de títulos de especialidade. Tal como referi anteriormente, a medicina dentária é uma área cuja ciência subjacente está em constante avanço e desenvolvimento. Também as técnicas utilizadas estão a ser constantemente modificadas e aperfeiçoadas, tanto devido à criatividade de determinados colegas e ao avanço extraordinário do material com que trabalhamos todos os dias. As técnicas de microcirurgia na medicina dentária são um exemplo, já que só se tornaram possíveis com o desenvolvimento de microscópios e/ou lupas de grande aumento e do desenvolvimento dos instrumentos adaptados à nossa área.
Devida a esta corrida desenfreada entre os nossos conhecimentos e o avanço da ciência, não temos outra solução senão continuarmo-nos a reciclar e a aprender até ao dia em que nos reformamos. Só assim estaremos nas melhores condições para tratar convenientemente os nossos pacientes.

 

Artigo publicado na edição Impressa e Digital do  “O JornalDentistry”  de setembro de 2018  

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