O JornalDentistry em 2018-3-20

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Novo paradigma da representação Estudantil

A ANEMD – Associação Nacional de Estudantes de Medicina Dentária foi constituída com a participação de todas as Associações representantes de estudantes de medicina dentária do país para colmatar uma lacuna de representação que há muito existia.

Diogo Caetano, Presidente da Direção da Associação Nacional de Estudantes de Medicina Dentária (ANEMD)

A representação coletiva dos estudantes a nível nacional e internacional foi sendo assegurada ao longo dos anos por estruturas pouco estáveis, por vezes não constituídas por estudantes e de fins pouco transparentes. 
 

 

A motivação para a criação da Associação foi alimentada por uma vontade crescente dos estudantes tomarem o seu lugar e intervirem no seu futuro enquanto agentes proativos iniciadores de mudança. O paradigma atual da medicina dentária, com condições contratuais de trabalho precárias (subemprego) e, ainda assim, números de estudantes formados equivalentes aos de países com populações muito superiores à nossa (segundo o Eurostat, formámos em 2015 – não há dados mais recentes – mais médicos dentistas (um total de 690) que Itália (607), que tem uma população seis vezes superior à de Portugal), são sintomas de um sistema a necessitar de uma intervenção urgente, sob pena da sustentabilidade da classe ser posta em causa a curto/médio prazo. 

 

É crucial uma articulação dos Ministérios que tutelam a classe e o ensino com as faculdades para fazer um planeamento da formação em medicina dentária a longo prazo, de acordo com o que são as necessidades da população e do país. Neste sentido, a ANEMD defende que é necessária uma redução imediata do numerus clausus. 

A população tinha (e tem, pelo menos, por enquanto) um grande obstáculo no acesso aos cuidados de saúde oral: o caráter maioritariamente privado e não comparticipado da profissão. Este estatuto resultou que, em períodos de maior contenção económica, a população se tivesse abstido de ir ao médico dentista, agravando o paradigma do excesso de profissionais no setor. 

A solução para o problema passa não só pelo planeamento a longo prazo da formação de novos profissionais, mas mais importante do que isso, passa também pela universalização do acesso da população aos cuidados de medicina dentária. É crucial que todos os cidadãos de todos os escalões económicos tenham acesso aos cuidados básicos de saúde oral. Neste sentido, o Ministério da Saúde anunciou no passado dia 17 de novembro na Cerimónia de Abertura 

do Congresso da Ordem do Médicos Dentistas, pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, que a tutela pretende integrar os médicos dentistas nas equipas de saúde familiar e alargar o acesso aos cuidados de saúde oral aos utentes do SNS. Este anúncio vem ao encontro do que a ANEMD vem defendido ser necessário (tendo mesmo sido criado um grupo de trabalho dentro da Associação que vai acompanhar e analisar em exclusividade os moldes em que este processo vai decorrer). A população portuguesa há muito que carecia de uma disponibilidade mais alargada de cuidados de saúde oral, mas até agora esses eram escassos e apenas para grupos selecionados da população. 

Não só de políticas de formação e emprego se faz o programa da ANEMD, enquanto Federação de Associações representantes de estudantes da área da saúde, a ANEMD cumpre com o seu dever cívico de intervir junto da população apresentando um programa de promoção e consciencialização para a saúde oral junto de escolas, instituições, empresas e todos os que nos contactem nesse sentido (temos um formulário permanentemente aberto em www.anemd.pt onde qualquer instituição pode entrar em contacto connosco para solicitar uma sessão). 

Enquanto entidade representante de estudantes, a ANEMD não se podia dissociar do seu dever de também contribuir para a formação dos estudantes, tanto a nível científico como cívico, por isso mesmo, nos próximos dias 7 e 8 de abril, terá lugar o Simpósio Anual de Estudantes de Medicina Dentária (SAEMD), organizado pela ANEMD, que contará com a presença de muitas referências da área para que todos os estudantes possam complementar a sua formação tanto em conferências teóricas como em workshops práticos que lhes permitirão aprimorar as suas competências clínicas. O SAEMD também permitirá aos estudantes contactar com congéneres estrangeiros naquele que é o Portuguese Dental Students Association International Annual Meeting (PDSAIM), sendo o objetivo promover a integração dos estudantes portugueses naquela que é cada vez mais uma aldeia global. Alguns dos nomes que poderemos ver nos dias 7 e 8 de abril incluem: Francisco Teixeira Barbosa, da área da Implantologia; Rui Pereira da Costa, na Endodontia; Gustavo Ottoboni, com uma palestra direcionada para a Periodontologia estética, entre muitos outros que poderão ser consultados no nosso programa. Na vertente socioprofissional, o SAEMD terá um auditório dedicado ao debate dos temas da atualidade da Medicina Dentária em que os estudantes se poderão inteirar das várias perspetivas das matérias em análise de forma a formularem uma opinião informada. 

A ANEMD é o maior projeto promotor de mudança a surgir no espaço de muitos anos na Medicina Dentária e os estudantes estão comprometidos em o cimentar como agente presente e ativo de contribuição para a contínua evolução da Medicina Dentária Nacional e Internacional.

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OJD 53 JULHO de 2018

OJD 53 JULHO de 2018

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