O JornalDentistry em 2017-11-28

CRÓNICA

Até que voz me doa…

Assim começa o conhecido fado de Maria da Fé, uma das grandes intérpretes desta tão bela e aclamada expressão musical. De facto, a voz é uma arma poderosa e que deve ser bem cuidada.

Juntamente com os gestos, é um dos instrumentos de influência mais eficazes nas comunicações humanas. É certo que, no contexto profissional, alguns utilizam-na mais do que outros. No entanto, é um instrumento de trabalho comum a todos os profissionais, sobretudo na área da saúde, onde as pessoas exigem cada vez mais informação e uma relação de extrema confiança com os seus clínicos. 
Tenho uma crença muito forte de que só podemos “dar saúde” aos outros se mantivermos a nossa bem cuidada. Dado o stress inerente, as longas horas de trabalho e as contra posturas naturais, a profissão de médico dentista é muito exigente fisicamente. Assim sendo, o nosso corpo deve ser tratado como um templo. Tal como a revisão dos equipamentos do consultório deve ser realizada em prazos estabelecidos para manter a sua capacidade de produção, o mesmo deve acontecer com a nossa saúde física e mental. E o melhor, como sempre, é o caminho da prevenção... No caso da voz, à semelhança dos alongamentos corporais e posturas ergonómicas há tantos anos recomendados, também existe um conjunto de exercícios curtos ou hábitos específicos para a gestão do cansaço da voz ao longo dos dias/semanas e, por conseguinte, da qualidade da comunicação. Os “melhores amigos” da voz são, para além do otorrinolaringologista e do terapeuta da fala, a garrafa de água de litro e meio para hidratação e as maçãs que, para além da atividade adstringente e de “limpeza natural” das cordas vocais, ajudam a “despertar” os músculos da fonação e a melhorar a articulação das palavras. Exercícios específicos de respiração ou ressonâncias do nariz, assim como outros mais simples, incluindo massagem dos masséteres, aquecimento dos lábios, da língua e vibração da laringe, também podem ser úteis. 
Last but not the least, aqui fica talvez o hábito mais importante de todos: saber ouvir melhor. Tal como diz o provérbio chinês: “Temos uma boca e dois ouvidos... E raramente nos comportamos proporcionalmente” 

Texto: Fernando Arrobas, MD  -  fernando.arrobas@jornaldentistry.pt
Ilustração: Diogo Costa  -   dcosta_4@msn.com

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OJD 45 NOVEMBRO 2017

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