O JornalDentistry em 2018-8-28

ARTIGOS

Biomaterial pode manter o dente vivo após tratamento do canal radicular

O tratamento do canal radicular está no topo da lista dos procedimentos dentários da maioria das pessoas. Embora a cirurgia seja longa e às vezes dolorosa resolve o problema de uma infeção, mas tem como resulta em um dente morto.

Cientistas relatam o desenvolvimento de um hidrogel peptídico projetado para estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos e polpa dentária dentro de um dente após o procedimento. 

Os pesquisadores apresentaram os resultados no 256º National Meeting & Exposition of the American Chemical Society (ACS). 

Vivek Kumar considera que depois de um tratamento do canal radicular o dente morre, deixa de ser sensível, não há terminações nervosas ou suprimento vascular, ficando  muito suscetível à infeção subsequente e, em última análise à queda do dente. 

Kumar e Peter Nguyen, Ph.D., ambos do  Instituto de Tecnologia de Nova Jersey. foram o  apresentadores do trabalho na reunião. Queriam desenvolver um material que pudesse ser injetado no lugar do cimento. O material estimularia tanto a angiogénese quanto o crescimento de novos vasos sanguíneos e a dentinogénese, ou proliferação de células-tronco da polpa dentária, dentro do dente. 

Kumar baseou-se na sua experiência anterior no desenvolvimento de um hidrogel que estimula a angiogénese quando injetado sob a pele de cobaias. O hidrogel, que é líquido durante a injeção, contém peptídeos que se auto agregam formando um gel no local da injeção. Os peptídeos contêm um fragmento de uma proteína chamada fator de crescimento endotelial vascular, que estimula o crescimento de novos vasos sanguíneos. Kumar e seus colegas de trabalho demonstraram que o hidrogel peptídico de automontagem estimulou a angiogénese e persistiu sob a pele dos roedores durante três meses. 

Se é possível estimular a angiogénese num membro, poder-se-á estimular a angiogénese noutras regiões do corpo com baixo fluxo sanguíneo?" 

Uma das regiões em que investigadores estava realmente interessados era num órgão em si mesmo, o dente". Por isso Kumar e Nguyen acrescentaram outra substancia ao peptídeo angiogenético que se auto-organiza:  uma proteína que faz proliferar as células-tronco da polpa dentária. Quando a equipe adicionou o novo peptídeo células-tronco de polpa dentária cultivadas, descobriram que o peptídeo não apenas causava a proliferação das células, mas também as ativava para depositarem cristais de fosfato de cálcio - o mineral que compõe o esmalte dos dentes. No entanto, quando injetado sob a pele de ratos, o peptídeo degradou-se entre uma uma a três semanas. Houve que redesenhar a estrutura do peptídeos, de modo que presentemente  se obtenha uma versão muito mais estável. 

A equipe está a injetar o hidrogel peptídico nos dentes de cães que foram submetidos a tratamento do canais radiculares para ver se o hidrogel pode estimular a regeneração da polpa dentária num animal vivo. Se esses ensaios correrem bem,  o hidrogel será aplicado em ensaios  clínicos com seres humanos humanos. 

Foi apresentada uma patente para o peptídeo redesenhado. 

O hidrogel na sua forma atual provavelmente não reduzirá a invasividade ou a dor no tratamento de canal radicular, mas Kumar e Nguyen estão a planear versões futuras do peptídeo contendo substâncias antimicrobianas. Segundo Kumar em vez de ter que remover toda a polpa do dente, o médico dentista poderia entrar com uma broca menor, remover um pouco da polpa e injetar o hidrogel 

A ação antimicrobiana do peptídeo mataria a infeção, preservando mais a polpa dental existente, enquanto ajudava a cultivar novos tecidos. O tratamento do canal radicular poderá  ser mais um procedimento mais suave. 

Fonte:  ScienceDaily / American Chemical Society

Artigo originalScienceDaily:

www.sciencedaily.com/releases/2018/08/180822082640.htm

 

Clique para ver o video: www.youtube.com/watch?v=wgJu7ePUGlM

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