O JornalDentistry em 2018-6-07

ARTIGOS

Cientistas desenvolvem material que pode regenerar o esmalte dentário

Pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres desenvolveram uma nova maneira de cultivar materiais mineralizados que poderiam regenerar tecidos duros, como esmalte dental e osso.

Close-up de material semelhante ao esmalte - Crédito Alvaro Mata

O esmalte, localizado na parte externa de nossos dentes, é o tecido mais duro do corpo e permite que nossos dentes funcionem durante grande parte da nossa vida, apesar das forças de mordida, exposição a alimentos e bebidas ácidas e temperaturas extremas. Este desempenho notável resulta de sua estrutura altamente organizada.

No entanto, ao contrário de outros tecidos do corpo, o esmalte não pode se regenerar quando se perde, o que pode levar à dor e perda dentária. Esses problemas afetam mais de 50% da população mundial e, portanto, encontrar maneiras de recriar o esmalte é uma necessidade importante em medicina dentária.

O estudo, publicado na Nature Communications, mostra que essa nova abordagem pode criar materiais com notável precisão e ordenar que se pareçam e se comportem como o esmalte dentário.

Os materiais podem ser usados ​​para uma ampla variedade de complicações dentárias, como a prevenção e o tratamento da cárie dentária ou da sensibilidade dentária - também conhecida como hipersensibilidade dentária.

O Dr. Sherif Elsharkawy, médico dentista e  autor principal do estudo da Queen Mary's School of Engineering and Materials Science, considera que Isto é excitante porque a simplicidade e versatilidade da plataforma de mineralização abre oportunidades para tratar e regenerar tecidos dentais. Por exemplo, pode-se desenvolver bandagens resistentes aos ácidos, que se podem  infiltrar, mineralizar e proteger os túbulos dentinários expostos dos dentes humanos para o tratamento da hipersensibilidade dentinária. 

O mecanismo que foi desenvolvido é baseado num material específico uma proteína que é capaz de desencadear e guiar o crescimento de nano cristais de apatita (1) em múltiplas escalas - da mesma forma como estes cristais crescem quando o esmalte dentário se desenvolve no nosso corpo. Esta organização estrutural é fundamental para as excelentes propriedades físicas exibidas pelo esmalte dental natural.

O principal objetivo da ciência dos materiais é aprender com a natureza para desenvolver materiais úteis com base no controle preciso de blocos moleculares. A principal descoberta  realizada pelo  professor Alvaro Mata, da Queen Mary's School of Engineering and Materials Science, é da possibilidade de explorar proteínas desordenadas para controlar e guiar o processo de mineralização em múltiplas escalas, através do qual  se desenvolveu uma técnica para facilmente cultivar materiais sintéticos que emulam essa arquitetura hierarquicamente organizada em grandes áreas e com a capacidade de ajustar suas propriedades.

Permitir o controle do processo de mineralização abre a possibilidade de criar materiais com propriedades que imitam diferentes tecidos duros além do esmalte, como ossos e dentina. Como tal, o trabalho tem o potencial para ser usado numa variedade de aplicações em medicina regenerativa. Além disso, o estudo também fornece insights sobre o papel do distúrbio de proteínas na fisiologia e na patologia humana.

 

Fonte: ScienceDaily/Universidade Queen Mary de Londres

Artigo original:  "Scientists develop material that could regenerate dental enamel"

Nota da Redação - (1) A apatita é um dos poucos minerais a serem produzidos e utilizados por sistemas biológicos. A hidroxiapatita  é o principal componente do esmalte dentário. Está também presente  na glândula pineal (localizada no cérebro humano) e tem considerável participação no material ósseo.

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