JornalDentistry em 2023-7-21

ARTIGOS

Defeitos genéticos levam a malformações do esmalte

Mutações numa determinada molécula resultam em danos graves na estrutura e composição mineral do esmalte dentário em ratos, de acordo com um estudo realizado no Centro de Medicina Dentária da UZH

Os pesquisadores combinaram técnicas genéticas, moleculares e de imagem.

O esmalte é o tecido orgânico mais duro encontrado na natureza. Tem uma estrutura muito complexa, que é composta por minerais e proteínas específicas do esmalte produzidas por células exclusivas dos dentes chamadas ameloblastos. No entanto, por mais robusto que seja o esmalte dentário, ainda é suscetível a danos: defeitos no esmalte estão entre os problemas dentários mais comuns e resultam, entre outras coisas, em dentes sensíveis à dor e aumento do risco de cáries.

Foco na molécula Adam10

Uma equipa de investigadores do Centro de Medicina Dentária da Universidade de Zurique identificou agora, pela primeira vez, uma rede genética chave que é responsável por defeitos graves no esmalte dentário.

Usando vários modelos de ratos geneticamente modificados, os cientistas analisaram os efeitos da molécula Adam10, que está intimamente ligada à via de sinalização de Notch. Esta via de sinalização permite a comunicação entre células adjacentes, é essencial para o desenvolvimento embrionário e desempenha um papel crucial no desenvolvimento de patologias humanas graves, como acidente vascular cerebral e cancro. Para estudar detalhadamente o papel da sinalização Adam10/Notch na formação e patologia do esmalte dentário e analisar as modificações celulares e da estrutura do esmalte nos dentes após a mutação genética, os pesquisadores usaram ferramentas genéticas, moleculares e de imagem de última geração.

Defeitos na estrutura do esmalte e composição mineral

Os cientistas foram capazes de demonstrar que existe uma estreita ligação entre a função comprometida de Adam10/Notch e defeitos no esmalte. "Ratos portadores de mutações de Adam10 têm dentes com defeitos graves no esmalte", diz Thimios Mitsiadis, professor de biologia oral do Centro de Medicina Dentária e líder deste estudo. "A deleção de Adam10 causa desorganização dos ameloblastos, o que leva a graves defeitos tanto na estrutura quanto na composição mineral do esmalte."

A sinalização de Notch dependente de Adam10 está, portanto, envolvida não apenas em condições patológicas graves, mas também na organização e estrutura dos tecidos em desenvolvimento, como os dentes.

Novas vias para a prevenção e a terapêutica

De acordo com Mitsiadis, a compreensão do código genético que controla o desenvolvimento dentário, o conhecimento das conexões moleculares durante a formação do esmalte e o impacto das mutações que levam às malformações do esmalte abrem novos horizontes no campo da prevenção e do tratamento.

"Os requisitos para a reparação do esmalte e a formação de novo são extremamente complexos, mas as novas ferramentas genéticas e farmacêuticas que visam a formação deficiente do esmalte dentário permitir-nos-ão melhorar consideravelmente os cuidados dentários no futuro."

Fonte: MedicalXpress / University of Zurich

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