jornalDentistry em 2026-7-20
Por vezes dou por mim a pensar que o mundo em que vivemos não passa da construção mental da realidade que percecionamos. Somos o que pensamos, e interagimos com a realidade sob o ponto de vista pelo qual a percecionamos, em cada momento.
E a verdade é que, a realidade em que vivemos é cada vez mais percecionada através de ecrãs, de interfaces. O que a lente de uma lupa ou de uma camara percecionam, pode não ser, e muitas vezes não é mesmo, o que os nossos olhos, sozinhos,
alcançam. Às vezes reduz a realidade a uma bidimensionalidade que não tem, mas, outras vezes, capta pormenores que, não estando ao alcance dos nossos olhos, nos abre todo um mundo novo.
A medicina dentária tem avançado muito com o conceito micro. De micro invasibilidade. De ver mais e melhor para ser mais preciso e evitar maior dano. Em benefício de tratamentos mais duradouros e de melhor pós-operatórios para os pacientes. Trabalhamos numa cavidade pequena e escura e por definição, sistemas que permitam ver mais e melhor, necessariamente farão a diferença. Mais do que a ampliação o que faz mesmo diferença é a iluminação. Ampliação sem iluminação é manifestamente não tirar partido do investimento. E o mesmo se passa com a captação da imagem. É o flash e o controlo da luz que dita, muitas vezes o resultado
final clínico que queremos captar. Um bom caso clínico pode não parecer um excelente resultado, quando o queremos registar para “mostrar”. Tudo depende de como o conseguimos captar. Já outro com mais falhas, pode ser mostrado com a excelência que uma camara com a programação certa pode captar.
Hoje, cada vez mais, um “bom” dentista tem de ter um bom sistema de magnificação e um bom set de flashes para tirar partido da melhor programação de fotografia intra-oral. O que faz não existe só na boca do paciente. Aliás, se não for captado e registado, então é quase como se não tivesse sido feito. Como se a realidade dos tratamentos só existisse se forem captados. E depois mostrados. Como se só existissem através de um ecrã ou de uma interface que os possa mostrar.
Para a geração mais nova de médicos dentistas, esta realidade aind é mais premente. A realidade da medicina dentária começa primeiro nas redes sociais ou nas fotografias clínicas que os seus docentes partilham nas aulas, antes mesmo de perceberem que aquele trabalho se faz com muitas horas de cadeira a trabalhar numa cavidade pequena e escura.
Apostar num bom sistema de magnificação e numa boa camara fotográfica não pode vir antes de apostar em fazer muito. Fazer muito é o que vai ditar o fazer melhor. Errar como forma de aprender é a forma mais rápida de aprender.
Ser bom dentista deve vir antes de tirar boas fotografias. E quando conseguirmos conciliar os dois, temos a combinação perfeita para que o nosso trabalho possa vingar. Na boca e nas redes sociais. E sempre por esta ordem.
Boas férias, com boas leituras e com muitas e boas fotos!
Célia Coutinho Alves, Médica Dentista Especialista em Periodontologia
pela OMD, Doutorada em Periodontologia pela Universidade Santiago de Compostela
Célia Coutinho Alves, Médica Dentista Especialista em Periodontologia
pela OMD, Doutorada em Periodontologia pela
Universidade Santiago de Compostela