O JornalDentistry em 2018-9-30

ENTREVISTA

“ A Biodentistry é próximo passa da Medicina Dentária"

No passado dia 20 de julho, o Dr. Dominik Nischwitz esteve na White Clinic para falar sobre os benefícios da “biodentistry”, conceito que pratica uma abordagem holística do bem-estar do paciente

Dr. Miguel Stanley e Dr. Dominik Nischwitz

O JornalDentistry – O que devemos entender por este conceito de “biodentistry”?

— Dr. Dominik Nischwitz – A medicina dentáriabiológica(“biodentistry”)representa o próximo nível da medicina dentária convencional. Este conceito apareceu há 15 anos e desde essa altura que vem sendo constantemente aprimorado, dando lugar ao que é hoje. Quando me refiro à “biodentistry” como o próximo nível da medicina dentária, isto significa que existe uma combinação da medicina dentária mecânica e altamente qualificada com a componente médica, o que significa que olhamos para a saúde como um todo. A “biodentistry” recorre apenas a materiais biocompatíveis.

Deste modo, existe um conjunto de materiais que são eliminados, tais como o metal, que se relacionam com a extração dentária, sobretudo extração de dentes do siso.

É um conceito que olha do todo para a parte. Assim, até a nutrição está incluída na “biodentistry”, tendo conduzido a todo um novo conceito de food design, onde se tem em conta os protocolos de micronutrientes aliados a protocolos perio-cirúrgicos, ou de regeneração óssea. Este conceito nasceu da minha procura por uma saúde o mais otimizada possível.

Enquanto frequentava a licenciatura, tinha um enorme interesse por áreas como a da nutrição, mas não conseguia ver a ligação entre esta e a medicina dentária.

O meu objetivo foi sempre poder ajudar as pessoas a terem a melhor saúde possível e comecei desde logo por retirar tudo o que fossem materiais de metal. Conforme investiguei mais sobre como proporcionar uma melhor saúde, acabei por criar um conceito onde contei com a ajuda de grandes vultos da medicina dentária. A “biodentistry” desenvolveu-se à volta da ideia de que é possível olhar para o paciente e contemplar a saúde de todo o seu corpo, proporcionando-lhe um tratamento sem toxinas nocivas. Recorremos por isso à nutrição, aos micronutrientes, a protocolos de suplementação, membranas de PRF. Considero que mais do que um conceito, a “biodentistry” é o próximo passo da medicina dentária.

O JornalDentistry – Porque devem os médicos dentistas optar pela “biodentistry”?

— Dr. Dominik Nischwitz – A “biodentistry” representa uma mudança de paradigma. Hoje, o médico dentista já não é só um “dentista”, isto é, é capaz de olhar para além da cavidade oral. E a “biodentistry” contempla esta componente. O nosso objetivo, atravésda “biodentistry”, é ter um paciente totalmente saudável.

Os pacientes mais desafiantes são os que têm doenças crónicas, pois requerem cuidados muito específicos da parte de especialistas na respetiva doença. Porém, se os médicos dentistas se focarem na saúde do paciente como um todo,

poderão trabalhar em conjunto e ajudá-los. Depois, também a componente dos materiais é um elemento diferenciadordesta abordagem. Na implantologia, por exemplo, olhamos com otimismo para a utilização de implantes de cerâmica.

Há casos de estudo que têm demonstrado elevadas taxas de  osteointegração e regeneração óssea. Porém, também para o sucesso de um tratamento implantológico é necessário conhecer bem todo o corpo humano. Esta nova perspetiva sobre os pacientes e as suas necessidades é um verdadeiro impulsionador da saúde em geral. Isto pode significar que estamos perante um paciente que, por exemplo, nos diga que além de um sorriso novo conseguiu regularizar o sono, por exemplo, porque existe esta perspetiva que trata o paciente como um todo. Na “biodentistry” os médicos dentistas são realmente médicos e dentistas.

O JornalDentistry – Quais as suas aplicações clínicas? Que casos poderiam ser

tratados especificamente com a “biodentistry”?

— Dr. Dominik Nischwitz – Qualquer paciente está apto para ser tratado com a

“biodentistry”. Cada paciente tem as suas especificidades, porém, com este conceito retiram-se todos os materiais metálicos. Alia-se a saúde à função e à estética. Os resultados com recurso a este conceito têm sido bastante positivos e, embora o número de pacientes que nos procuram seja menor, os casos são mais complexos e todas as pessoas saem do consultório felizes. Usamos membranas de PRF, ozono e suplementos, que fazem parte do protocolo de regeneração óssea que desenvolvi.

Com este conceito, o médico dentista ganha conhecimentos sobre imunologia, toxicologia, para conseguir compreender o paciente além da cavidade oral. Um exemplo das vantagens desta perspetiva de abordagem ao paciente é a extração dentária. Muitos pacientes são submetidos à extração dentária e, nos dentes do siso, por exemplo, muitas vezes a exodontia acontece quando os pacientes ainda são adolescentes, o que significa que ainda estão em crescimento, que ainda não têm todos os nutrientes. Este tipo de procedimento  não tem em conta as alergias do paciente, por exemplo, ou alguma falta de nutrientes que este possa ter, o que pode conduzir a diversas complicações.

O JornalDentistry – Que papel desempenha a tecnologia neste conceito de

“biodentistry”? Porque é importante?

— Dr. Dominik Nischwitz – A tecnologia digital está a tornar-se num dos principais aliados da medicina dentária. Não fujo à regra e tenho todos os processos digitalizados na minha clínica, à exceção da impressão. O meu pai também é médico dentista e tem tido a preocupação de utilizar sempre a tecnologia mais recente.

Isto permitiu-me ter um contacto muito próximo com a tecnologia desde muito cedo, mesmo antes de terminar o curso. A tecnologia permite-nos ser mais rápidos, eficazes e sustentáveis. A sustentabilidade, aliás, caminha lado a lado com o conceito de “biodentistry”.

O JornalDentistry – Acredita que num futuro próximo a “biodentistry” será integrada nos programas curriculares das universidades de medicina dentária?

— Dr. Dominik Nischwitz – Acredito que no futuro se dará uma maior ênfase à biologia. Atualmente já existe um docente na Universidade de Hamburgo que se dedica à investigação no campo da medicina dentária biológica. Considero que os programas curriculares das universidades necessitam de ser revistos e atualizados, para permitir que os alunos aprendam tudo no timing certo e que se dispensem conhecimentos que já não fazem sentido nos dias de hoje. Os aspirantes a médicos dentistas terão sempre de conhecer a componente mecânica dos procedimentos.

Porém, hoje em dia existe um enorme conjunto de novas técnicas que devem aprender enquanto estão aestudar.

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