JornalDentistry em 2026-6-24
O verão arranca com milhões de turistas a olhar o mar, mas a proliferação da bactéria Vibrio, associada às alterações climáticas, já levou ao encerramento de praias em Espanha e gerou alertas no Mediterrâneo.
Com o verão iniciado, muitos turistas preparam-se para ir à praia. Contudo, a presença crescente de bactérias no mar preocupa autoridades e setor turístico.
Nos últimos anos, vários pontos do litoral europeu registaram contaminações e alertas sanitários, num contexto de águas mais quentes e maior pressão turística.
“O Mediterrâneo está a mostrar-nos o que significa um mundo mais quente”, afirma Hatim Aznague, da União para o Mediterrâneo.
Aumenta ameaça da “bactéria carnívora”
A bactéria Vibrio, conhecida como “bactéria carnívora”, vive naturalmente em águas marinhas e pode causar desde gastroenterites até infeções graves.
Entre as espécies mais relevantes estão a Vibrio vulnificus, a Vibrio parahaemolyticus e variantes da Vibrio cholerae. As infeções podem ocorrer através do consumo de marisco cru ou do contacto de feridas com a água.
“As bactérias não são a história, são as mensageiras; a história é um mar desequilibrado pelo calor e pela poluição”.
Nos casos mais graves, a infeção pode provocar necrose dos tecidos, sépsis e até amputações.
O risco aumenta durante o verão, sobretudo em períodos de calor extremo e em águas costeiras pouco profundas.
Mediterrâneo antecipa efeitos das alterações climáticas
O Mediterrâneo é uma das regiões mais vulneráveis ao aquecimento global e um dos mares que mais rapidamente aquece.
Segundo Aznague, o aumento da temperatura da água, aliado à poluição e à menor salinidade em certas zonas, favorece a proliferação de bactérias.
A EFSA prevê um aumento da presença de Vibrio na Europa devido às alterações climáticas, especialmente em estuários e águas menos salgadas.
Turismo sofre impacto económico direto
Além do risco sanitário, a expansão da Vibrio tem impacto económico. “Nas nossas costas, o litoral não é uma parte da economia, é a economia”, resume Aznague.
O encerramento de praias e os alertas sanitários afetam diretamente o turismo e as economias locais.
O aumento das temperaturas e dos fenómenos climáticos extremos está a ampliar as áreas de risco e a preocupação das autoridades de saúde.
Risco é já presente, não futuro
Para a União para o Mediterrâneo, trata-se de um problema atual e não de um cenário futuro.
A solução passa por maior cooperação e ações coordenadas entre os países da região.
A bactéria Vibrio é hoje um sinal das profundas alterações que afetam os ecossistemas marinhos. Como resume Aznague: “As bactérias não são a história, são as mensageiras; a história é um mar desequilibrado pelo calor e pela poluição”.
Fonte: Euronews / 
Foto: Unsplash/CCO Public Domain