JornalDentistry em 2025-9-03

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Hidrogel oral liberta saliva artificial para tratar boca seca

A saliva é mais do que apenas água. Ajuda na mastigação e na deglutição, protege os dentes e as gengivas e possui ainda propriedades antimicrobianas e digestivas. No entanto, certas condições ou tratamentos médicos, como a hemodiálise, a quimioterapia e a radioterapia, reduzem a produção natural de saliva.

investigadores que publicaram na ACS Applied Polymer Materials criaram um hidrogel reutilizável que liberta saliva artificial ao longo do tempo, o que poderá ajudar a proporcionar um alívio prolongado da boca seca.

A boca seca é uma condição na qual as glândulas salivares não produzem saliva suficiente. Muitos medicamentos para tratar a boca seca aumentam a produção natural de saliva, mas proporcionam um alívio temporário ou têm efeitos secundários indesejados, incluindo irritação da boca e erosão dentária. Investigações anteriores identificaram que a saliva artificial, frequentemente utilizada em estudos laboratoriais, pode ser uma alternativa promissora aos medicamentos atuais.

Tal como a saliva natural, a saliva artificial é composta maioritariamente por água e contém mucinas — uma classe de compostos que lubrifica a boca e tem propriedades antimicrobianas. Assim, Suman Debnath, Georgia Malandraki, Bryan Boudouris e colegas quiseram desenvolver um reservatório artificial de saliva que pudesse ser colocado na boca e libertar saliva de forma regulada ao longo do tempo.

Para criar o reservatório, os investigadores misturaram saliva artificial com um polímero biocompatível, o poli(hidroxietilmetacrilato), habitualmente utilizado em aplicações médicas, como lentes de contacto. O hidrogel resultante é uma bolha transparente, com aproximadamente o tamanho de uma moeda de 25 cêntimos de dólar, suficientemente pequena para caber no interior da bochecha ou debaixo da língua.

Para determinar a quantidade de saliva artificial que um único reservatório conseguia absorver, os investigadores submergiram-no em saliva artificial durante 6 horas. O gel de saliva expandiu-se até 400% do seu volume original, indicando que tem uma elevada capacidade de armazenamento.

De seguida, os investigadores testaram a capacidade do reservatório para libertar a saliva armazenada. O gel libertou toda a saliva armazenada ao longo de um período de 4 horas a 37 graus Celsius (98,6 graus Fahrenheit), começando um pouco mais rápido e depois abrandando com o tempo. Isto demonstra que a temperatura do corpo humano ajuda a iniciar a libertação de saliva a partir do hidrogel.                             

Os investigadores também relataram taxas consistentes de libertação de saliva em cinco testes consecutivos com um único reservatório, demonstrando o seu potencial como uma opção de tratamento reutilizável. Por fim, as células cultivadas em contacto com o gel não apresentaram alterações nas suas taxas de sobrevivência ou crescimento, indicando a biocompatibilidade do reservatório.
"Em trabalhos futuros, planeamos continuar a melhorar este gel de saliva em termos de durabilidade e da quantidade de saliva artificial que pode libertar numa única utilização. Pretendemos também testar materiais adicionais que o tornem totalmente solúvel", afirmam Malandraki e Debnath. "O nosso objetivo é desenvolver uma solução fácil e acessível para a boca seca para os milhões de pessoas que sofrem desta condição frustrante".

 

 

Fonte: American Chemical Society / MedicalXpress

Foto:  Unsplash/CCO Public Domain

 

 

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