JornalDentistry em 2025-12-13

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OMD alerta para fuga de médicos dentistas e exige medidas económicas urgentes no OE26

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) apresentou ontem os resultados do estudo “Diagnóstico à Profissão 2025”, o qual confirma uma realidade alarmante: Portugal está a perder médicos dentistas para o estrangeiro, devido à falta de condições económicas, à instabilidade profissional e à ausência de políticas estruturais.

O não reconhecimento da profissão como sendo de desgaste rápido (mencionado por mais de 60% dos inquiridos), o crescimento dos seguros e planos de saúde que refletem a crescente intermediação financeira do setor, a instabilidade salarial (para 46,2%), a falta de proteção social (42,2%), a ausência de contratos de trabalho (26,5%) e a falta da carreira no SNS (24,7%) são algumas das principais preocupações identificadas no estudo.

Esta tendência não só ameaça a sustentabilidade da profissão, como também agrava as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde oral e representa um risco económico para o país.

Os números falam por si. Atualmente, 7% dos médicos dentistas já trabalham fora de Portugal, sobretudo em França, no Reino Unido e na Suíça. 16,1% emigraram no último ano e 46% exercem no estrangeiro há mais de cinco anos, período a partir do qual a probabilidade de regressar diminui significativamente. Aliás, dos inquiridos apenas 18% pretendem regressar.

Dos motivos apontados para emigrar, 55% afirmam que não conseguiam auferir um rendimento satisfatório em Portugal, 48,3% consideram que a profissão não é valorizada e 43,9% procuram melhor qualidade de vida.

A situação é ainda mais grave entre os mais jovens: 41,7% dos profissionais com menos de 30 anos decidiram emigrar antes de concluir o curso, o que indica uma perceção clara de falta de oportunidades no mercado nacional.

A precariedade da profissão é das principais causas apontadas. 60,4% dos médicos dentistas têm uma remuneração variável, que depende da percentagem dos tratamentos realizados, sem qualquer garantia de estabilidade, até porque o modelo assenta muitas vezes na prestação de serviços e recibos verdes.

A isto acresce o facto de a maioria (60,8%) exercer em clínicas ou consultórios de outrem (excluindo hospitais e centros), em que cerca de 70% trabalham simultaneamente em mais do que uma unidade, afetando a qualidade de vida destes profissionais. Esta realidade desvaloriza a profissão e compromete a capacidade de atrair e reter talento.

Em suma, entre quem exerce em Portugal, 62,6% indicam que o rendimento auferido está abaixo do expectável para as habilitações que têm e 56,7% dizem estar abaixo do expectável para as horas de trabalho.

“A fuga de profissionais qualificados não é apenas um problema da classe médica dentária, mas sim um risco sistémico para a economia e para a saúde pública. A emigração de cada médico dentista representa um investimento perdido em formação e uma diminuição da capacidade de resposta do sistema nacional”, alerta o bastonário Miguel Pavão.

Perante este cenário, a OMD considera que as propostas apresentadas para o Orçamento de Estado para 2026 são decisivas para inverter a tendência de emigração e garantir a sustentabilidade do setor.

Nesta notícia poderá ainda ler sobre:   —  Propostas para o Orçamento de Estado para 2026

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