JornalDentistry em 2025-11-15
Os analgésicos de venda livre funcionam tão bem ou melhor do que os opióides após a extração do dente do siso, tanto para homens como para mulheres, de acordo com um estudo de acompanha -mento liderado pela Rutgers Health, que complementa um artigo pioneiro sobre o alívio comparativo da dor.
O primeiro artigo, baseado na experiência coletiva de mais de 1.800 doentes participantes num ensaio clínico, constatou que a combinação de ibuprofeno e paracetamol proporcionou um melhor alívio da dor do que a combinação de hidrocodona e paracetamol nos dois primeiros dias após a cirurgia, bem como uma maior satisfação no período pós-operatório.
"Queríamos determinar se os efeitos dos analgésicos eram consistentes em homens e mulheres, separadamente", disse Janine Fredericks-Younger, professora associada da Escola de Medicina Dentária da Rutgers e autora principal da análise. "E o que verificámos foi que, em ambos os subgrupos (homens e mulheres), o analgésico não opióide foi superior durante o primeiro dia e a primeira noite, e não foi pior do que o opióide durante o resto do período pós-operatório."
O estudo que gerou ambos os artigos, financiado por uma verba de 11 milhões de dólares dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), comparou os doentes que receberam 400 miligramas de ibuprofeno (Advil, Motrin) combinados com 500 miligramas de paracetamol (Tylenol) com os que receberam 5 miligramas de hidrocodona com paracetamol.
A análise específica por sexo foi particularmente importante porque as mulheres relatam consistentemente níveis de dor mais elevados após a cirurgia, o que levanta questões sobre se os analgésicos funcionam de forma diferente para cada sexo.
"Obviamente, existem diferentes mecanismos biológicos e diferentes hormonas envolvidas", disse Cecile Feldman, dean da Faculdade de Medicina Dentária de Rutgers e autora sénior de ambos os estudos. "Mas os resultados confirmam que o efeito analgésico para ambos os grupos é o mesmo."
Os investigadores recrutaram deliberadamente números iguais de homens e mulheres desde o início, o que lhes permitiu realizar análises robustas de subgrupos. Os doentes de cinco universidades monitorizaram a sua dor duas vezes por dia, durante nove dias, utilizando diários eletrónicos, avaliando não só a dor, mas também a qualidade do sono, a capacidade de realizar atividades diárias e a satisfação geral.
Em todas as medidas, a combinação de medicamentos de venda livre igualou ou superou o opióide. Os doentes que tomaram os medicamentos não opióides relataram melhor qualidade do sono e menos interferência nas atividades diárias. Aqueles que receberam opióides tiveram o dobro da probabilidade de regressar solicitando medicação adicional para a dor.
"Os resultados foram ainda mais expressivos do que esperávamos", disse Feldman. "Esperávamos que o medicamento não opióide fosse não inferior, ou seja, que pelo menos não fosse pior do que os opióides. Ficámos surpreendidos ao ver que era, na verdade, superior."
Os procedimentos dentários são uma porta de entrada comum para a exposição a opióides. Os médicos dentistas prescreveram mais de 8,9 milhões de opióides em 2022, figurando entre os principais prescritores destes medicamentos no país.
"Há estudos que mostram que, quando os jovens são apresentados aos opióides, como muitos fazem através da extração dos dentes do siso, há uma maior probabilidade de os voltarem a utilizar, o que pode levar à dependência", disse Fredericks-Younger, referindo que as overdoses de opióides matam mais de 80 mil americanos anualmente.
A investigação centrou-se na extração de dentes do siso inclusos, que requer incisões na gengiva e, por vezes, remoção óssea, tornando-se um dos procedimentos dentários mais dolorosos. A Food and Drug Administration (FDA) utiliza este procedimento como modelo padrão para testar analgésicos, uma vez que produz, de forma fiável, dor moderada a intensa durante cerca de 48 horas.
Feldman afirmou que os resultados, que mostram a superioridade do medicamento de venda livre em relação aos opióides, provavelmente se aplicam a outros procedimentos dentários, mas não podem ser generalizados automaticamente para cirurgias noutras partes do corpo. Ela gostaria de ver estudos semelhantes realizados para uma variedade de procedimentos, particularmente aqueles para lesões ortopédicas, que frequentemente resultam em prescrições de opióides para atletas do ensino secundário e universitário.
Apesar das crescentes evidências, muitos médicos dentistas continuam a prescrever opióides "por precaução" aos pacientes que são aconselhados a iniciar o tratamento com medicamentos de venda livre. A próxima fase da investigação examinará por que razão estes padrões de prescrição persistem.
"Como podemos agora, com as provas e o conhecimento que temos, eliminar estas prescrições?", questionou Fredericks Younger.
As conclusões estão em linha com as recomendações da Associação Americana de Medicina Dentária (ADA) para evitar os opióides como tratamento analgésico de primeira linha. Feldman afirmou que os resultados do estudo não deixam margem para dúvidas.
"Estamos bastante confiantes em afirmar que os opióides não devem ser prescritos de rotina para procedimentos dentários", disse ela. "A nossa combinação sem opióides deve ser a escolha analgésica."
Fonte Rutgers University
Foto: Unsplash/CCO Public Domain