JornalDentistry em 2026-5-22

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Periodontite afeta metade dos adultos após os 30 anos: especialistas alertam para riscos além da saúde oral

"Os dados são muito preocupantes." O alerta é deixado pela Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes na sequência da comemoração do Dia Europeu da Saúde Periodontal, assinalado a 12 de maio, para sensibilizar a população para a importância da saúde das gengivas e para a sua relação com a saúde geral.

A Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes alerta para a elevada prevalência das doenças das gengivas e para o seu impacto, que vai além da saúde oral. Este alerta surge na sequência da associação da SPPI, durante esta semana de maio, à iniciativa da Federação Europeia de Periodontologia, no âmbito do Dia Europeu da Saúde Periodontal, assinalado a 12 de maio, com o objetivo de sensibilizar a população para a importância da saúde das gengivas e para a sua relação com a saúde geral.

Segundo estimativas da Federação Europeia de Periodontologia, a periodontite poderá afetar cerca de 50% dos adultos com mais de 30 anos.

A preocupação da SPPI prende-se com as consequências destas doenças não apenas na cavidade oral, mas também na saúde geral.

 

“A Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes está particularmente preocupada com estas doenças porque o seu impacto não se limita à cavidade oral. A gengivite, a periodontite e as doenças peri-implantares podem conduzir à perda de dentes e de implantes dentários, comprometendo a função, a estética, a alimentação e a qualidade de vida”.
 Afirma Honorato Vidal - Presidente da Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes
.


O responsável acrescenta que “a evidência científica tem demonstrado que a inflamação periodontal está associada a várias doenças sistémicas, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e complicações na gravidez”. Por isso, defende, “a saúde das gengivas deve ser entendida como parte integrante da saúde geral, e não como um problema menor ou exclusivamente dentário”.

A periodontite é uma doença inflamatória crónica das gengivas e dos tecidos que suportam os dentes. Surge quando há um desequilíbrio entre as bactérias que vivem naturalmente na boca e as defesas do organismo. Esse desequilíbrio desencadeia uma resposta inflamatória persistente que, ao longo do tempo, pode destruir os tecidos de suporte dos dentes.

Entre os principais fatores de risco para a periodontite está o tabaco. Durante a gravidez, as alterações hormonais podem aumentar a resposta inflamatória das gengivas à placa bacteriana, tornando mais frequentes situações de gengivite e agravando problemas periodontais já existentes. A doença periodontal tem sido associada a alguns desfechos adversos da gravidez, como parto pré-termo, baixo peso à nascença e pré-eclâmpsia.

A relação entre diabetes e periodontite é uma das mais bem estabelecidas na medicina periodontal. Pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver doença periodontal e formas mais graves, sobretudo quando o controlo metabólico é insuficiente. Por outro lado, a presença de periodontite pode estar associada a pior controlo glicémico.

A SPPI refere ainda a existência de evidência científica crescente sobre a relação entre periodontite e doenças autoimunes, em particular a artrite reumatoide, por partilharem mecanismos inflamatórios e imunológicos.

A periodontite tem igualmente sido associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Esta ligação deve ser interpretada num contexto multifatorial, em que também pesam fatores como tabaco, diabetes, hipertensão, obesidade e sedentarismo.

No caso dos implantes dentários, a sociedade científica alerta que estes não dispensam cuidados contínuos. Tal como acontece com os dentes naturais, pode surgir inflamação dos tecidos à sua volta, como mucosite peri-implantar ou peri-implantite. Estas situações estão frequentemente associadas à acumulação de biofilme bacteriano e podem ser agravadas por higiene oral ineficiente, história de periodontite, tabagismo e diabetes mal controlada.

A manutenção regular, a vigilância profissional e a atenção a sinais como sangramento, inflamação ou mau hálito em redor do implante são consideradas fundamentais para garantir o sucesso do tratamento a longo prazo.


“A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado continuam a ser as ferramentas mais eficazes para combater as doenças das gengivas e promover uma melhor saúde oral e geral ao longo da vida”.
 Conclui Honorato Vidal - Presidente da Sociedade Portuguesa de Periodontologia e Implantes.


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Fote: DN / 

Foto: Unsplash/CCO Public Domain

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