JornalDentistry em 2026-3-17
Ir ao hospital devia ser encontrar o lugar mais seguro, mas é sempre um risco potencial. A pandemia silenciosa das infeções hospitalares foi o tema do “Essencial” na passada sexta-feira. Portugal regista uma média de mais de uma centena de mortes por mês nas últimas décadas, devido a infeções hospitalares.
Estas infeções são um dos grandes desafios da saúde em todo o mundo e parte desse problema prende-se com o uso excessivo de antibióticos.
A automedicação e o consumo desnecessário destes medicamentos em doenças virais provocam uma maior resistência das bactérias e diminuem a capacidade de tratamento.
Nos hospitais, cada internamento torna-se uma espécie de roleta russa, que pode atingir qualquer doente, especialmente os mais vulneráveis.
O caso de Benedito Pacheco
Benedito Pacheco conta-nos como durante meses lutou pela vida, depois de ter tido contacto com uma bactéria durante um internamento hospitalar devido a um acidente.
Estava a trabalhar na parte elétrica de um reclamo luminoso, quando a escada rodou e caiu. Escapou do imprevisto apenas com um pé partido.
Foram os colegas que o levaram para o Hospital, na madrugada de uma sexta-feira.
Depois de ter passado o fim de semana à espera nas Urgências, chegou o dia da operação. Quando os resultados dos exames chegaram, a decisão de avançar para uma cirurgia teve de ser alterada.
A infeção obrigou-o a passar três meses no isolamento do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Portugal lidera ranking da UE de infeções hospitalares
O que aconteceu a Benedito, acontece a um em cada dez doentes internados. Portugal é o país da União Europeia com maior incidência estimada de infeções hospitalares.
Contactámos a Direção-Geral de Saúde e o Ministério da Saúde sobre o que está planeado para diminuir o número de infeções nos hospitais, mas não obtivemos esclarecimentos.
Doentes em macas nos corredores, equipas reduzidas e excesso de trabalho levam a que os procedimentos para evitar infeções deixem de ser prioritários.
As contas para diminuir custos não têm estado a ter em conta os custos maiores provocados pelas infeções hospitalares.
Quem é que está a ser responsabilizado por isso? Quem é que deve ser responsabilizado por isso?
São perguntas “Essenciais” para as quais estão a faltar respostas.
Fonte: SIC /
Foto: Gemini IA