JornalDentistry em 2025-12-17
O Sindicato dos Médicos Dentistas do Setor Público e Social Português (SMDSP) expressou forte preocupação por não ter sido envolvido no alegado acordo entre o Governo e estruturas sindicais da administração pública, que abrangerá diretamente a Medicina Dentária no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“Causa perplexidade que um documento com o maior impacto direto na organização, no futuro profissional e na forma de prestação de cuidados de saúde oral desde a criação do SNS tenha avançado sem que a classe fosse auscultada”, afirma o sindicato.
Sendo a principal força representativa dos médicos dentistas no setor público, o SMDSP considera “estranho” não ter sido ouvido numa decisão que, sublinha, ignora “a abrangência da profissão bem como das especificidades clínicas e operacionais do exercício da Medicina Dentária”.
Para esclarecer o processo, o sindicato solicitou uma reunião à Ordem dos Médicos Dentistas, procurando perceber o seu eventual envolvimento e posição institucional. Em paralelo, pediu encontros urgentes com a Secretaria de Estado da Administração Pública e com o Ministério da Saúde, de forma a obter “esclarecimentos formais sobre o conteúdo e alcance do acordo” e defender os interesses dos profissionais do SNS.
O SMDSP volta também a alertar para problemas estruturais que permanecem por resolver. Entre eles, “a situação dos inúmeros consultórios de medicina dentária encerrados”, que limita o acesso dos cidadãos a cuidados essenciais, e a persistente precariedade laboral, já que “a maioria [dos médicos dentistas] é contratada a recibos verdes ou em regime de prestação de serviços”.
Apesar das críticas, o sindicato reafirma a sua disponibilidade para negociar uma solução “séria, sustentável e consensual”, que valorize a profissão e garanta cuidados de saúde oral de qualidade. “Continuaremos a agir em defesa dos médicos dentistas do setor público”, conclui o SMDSP.