jornalDentistry em 2026-7-18
Julho de 2026 No prosseguimento de uma agenda de rigorosa salvaguarda profissional e em estreita articulação com as diligências outrora encetadas junto da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), realizou-se recentemente uma audiência capital com a Senhora Secretária de Estado do Ensino Superior e com a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).
O encontro, pautado pela defesa intransigente do futuro da nossa profissão, contou com a presença do Presidente, Prof. Doutor João Sáágua, ladeado pelos ilustres
Vogais da direção.
O fulcro da nossa intervenção residiu na dissecação analítica do atual Estado da Classe — uma realidade cujo severo diagnóstico era, até então, desconhecido pelas tutelas políticas. Demonstrámos, com inequívoca clareza, que a asfixia conjuntural que hoje se faz sentir resulta, direta e inexoravelmente, de uma prolongada ausência de planeamento e de visão estratégica no ecossistema formativo da Medicina Dentária no nosso país.
Anualmente, assiste-se a uma incompreensível e hiperbólica dotação de vagas académicas, num cenário de manifesta saturação demográfica de profissionais ativos. Esta assimetria traduz-se numa inaceitável heresia financeira e social: o erário público despende mais de 80 mil euros por estudante para, subsequentemente, fomentar uma forçosa exportação de talento altamente qualificado. Formamos, com o sacrifício do erário nacional, para enriquecer sistemas de saúde congéneres além-fronteiras.
Adicionalmente, manifestámos a nossa profunda preocupação com o declínio da autonomia clínica com que os recém-licenciados ingressam no mercado de trabalho. Urge implementar uma reestruturação programática que institua a obrigatoriedade de 6 anos de formação académica, indissociável de uma exigência acrescida no rácio de pacientes por estudante, garantindo assim a excelência prática que sempre nos caracterizou.
"Não podemos condescender com a mercantilização do ensino à custa da dignidade profissional. Entregámos em mãos um dossier consubstanciado com as nossas mais prementes reivindicações, tendo colhido a firme garantia governamental de que, já no próximo ciclo letivo, os cursos de Medicina Dentária serão alvo de uma intervenção corretiva e atenta."
A nossa voz permanece firme, munida de argumentos irrefutáveis e guiada pelo compromisso solene de restituir o prestígio, a sustentabilidade e a dignidade à Medicina Dentária em Portugal.

A Direção
SMD — Sector de Medicina Dentária