JornalDentististry em 2023-2-24

CRÓNICAS

O efeito da radiação electromagnética emitida pelos telemóveis na osteointegração do implante

“As ondas eletromagnéticas emitidas pelos telemóveis reduzem a cicatrização dos implantes dentários ao impedir o correto funcionamento do metabolismo ósseo e ao aumentar a inflamação localizada”

Dra. Ana Paz, médica dentista, White Clinic, Lisboa

O aumento do uso do telemóvel levantou algumas questões sobre se a sua utilização é segura para pacientes com implantes dentários. Houve um estudo recente que teve como objetivo avaliar as consequências da radiação emitida pelos telemóveis na osteointegração do implante (de titânio) durante a fase de cicatrização. 

A introdução do uso do telemóvel como uma ferramenta social e de trabalho essencial trouxe uma reforma no nosso mundo atual. Independentemente do nível socioeconómico, os telemóveis são usados pela maioria das pessoas de diferentes faixas etárias em todo o mundo. Existem duas razões pelas quais a exposição do campo de radiofrequência (RF) pode causar um impacto na nossa saúde: a primeira deve-se aos efeitos térmicos aquando do uso dos telemóveis muito próximo do corpo e à sua utilização sobretudo durante chamadas prolongadas. Em segundo lugar, pelos efeitos não térmicos acumulativos dos telefones e pela sua utilização continuada. 

Os usuários dos telemóveis são expostos às ondas eletromagnéticas (EMFs) numa frequência que varia entre 300-3000MHz. Vários estudos em animais e humanos mostraram que a radiação produzida por antenas ou telemóveis tem efeitos adversos na nossa saúde. Existem estudos que comprovam que o campo eletromagnético de radiofrequência (RF-EMF ) criado em torno dos telemóveis durante o seu uso afeta o fluxo sanguíneo cerebral regional nos seres humanos. 

Um grupo de investigação (Aldad e col.) demonstrou a associação entre o uso de telemóveis e o seu efeito no neurodesenvolvimento, bem como de que forma essas radiações poderiam afetar o desenvolvimento das células da mucosa oral, expostas a um período de 1 hora por dia num período de 8 anos. 

Uma vez que os telemóveis são usados muito próximos do osso maxilar e da mandíbula, é evidente que a radiação dos telemóveis afeta os tecidos e as estruturas orofaciais. 

O implante pode captar radiações electromagnéticas emitidas pelos telemóveis, que são prejudiciais e que podem causar problemas na cicatrização óssea ao redor do implante dentário durante a fase de cicatrização. Isto ocorre sobretudo em implantes de titânio. Houve um estudo recente realizado por Kavyashree e col. que prova a correlação entre o efeito negativo que têm as radiações eletromagnéticas emitidas pelos telefones na osteointegração dos implantes de titânio. Foi comprovado histologicamente que na primeira fase de cicatrização existia uma maior inflamação, uma menor maturação óssea e menor integração do implante nos casos dos implantes de titânio em que tinham sido expostos a radiação, comparativamen- te àqueles que não tinham sofrido exposição. Isto porque as ondas electromagnéticas causam um aquecimento ósseo que faz aumentar o número de citoquinas inflamatórias no local, causando uma maior inflamação. 

Certamente, esse efeito negativo é menor nos implantes de cerâmica, embora ainda não existam estudos significativos, uma vez que a cerâmica não tem “efeito de antena”, em comparação com os implantes de titânio e, por esse motivo, não causam aquecimento do osso circundante. 

Outra razão pela qual a exposição a ondas electromagnéticas vindas dos telemóveis também é negativa é porque também está comprovado que o número de bactérias também aumenta exponencialmente quando expostas a estas radiações, o que facilmente pode acelerar o processo do aparecimento de uma peri-implantite. 

Na White Clinic aconselhamos aos nossos pacientes a minimizar o uso de telemóveis no pós-operatório ou a limitar o seu uso pelo menos durante as primeiras 2 semanas de cicatrização, pois além disso os telemóveis ativam o sistema simpático que provoca um maior stress celular e afeta também a cicatrização. 

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