JornalDentistry em 2026-4-02

TENDÊNCIAS

Bactéria associada à doença gengival pode alimentar secretamente o cancro da mama — especialmente em pessoas com predisposição genética.

nvestigadores do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center e do Bloomberg~Kimmel Institute for Cancer Immunotherapy publicaram recentemente na revista Cell Communication and Signaling evidências que correlacionam a microbiota oral com a etiologia e progressão do cancro da mama.

Fusobacterium nucleatum e Carcinogénese Mamária: Uma Nova Perspetiva na Medicina Oral.
O estudo foca-se na Fusobacterium nucleatum, um patógeno anaeróbio gram-negativo, habitualmente associado à doença periodontal, e no seu papel como            co-fator ambiental na oncogénese mamária.
 
Mecanismos de Transmissão e Patogénese Sistémica
A investigação demonstra que a F. nucleatum pode translocar-se da cavidade oral para o tecido mamário através da disseminação hematogénea. Uma vez instalada no parênquima mamário, a bactéria desencadeia uma cascata de eventos moleculares:
—Instabilidade Genómica: A exposição ao microrganismo induz danos diretos no ADN e ativa vias de reparação propensas a erros (error-prone), como a junção de extremidades não homólogas (NHEJ), aumentando a taxa de mutações somáticas.
—Alterações Fenotípicas: Observou-se a indução de lesões metaplásicas e hiperplásicas, precursoras de neoplasia.
— Agressividade Tumoral: A bactéria sobre-expressa a proteína DNA-PKcs, associada a um fenótipo mais invasivo, transição epitélio-mesenquimal, características de cancer stem cells (CSC) e quimioresistência.
 
Suscetibilidade Genética e Interação Molecular (BRCA1)
O estudo revela uma vulnerabilidade aumentada em células com mutações no gene BRCA1. O mecanismo de adesão bacteriana é mediado pela interação entre a lectina Fap2 da bactéria e o dissacarídeo Gal-GalNAc, cujos níveis se encontram elevados em células epiteliais com mutação BRCA1. Esta afinidade aumentada resulta em:
    1    Maior internalização e persistência intracelular da F. nucleatum.
    2    Efeito sinérgico entre a predisposição genética e o fator ambiental (bacteriano).
    3    Aceleração da proliferação tumoral e aumento da incidência de metástases pulmonares, conforme observado em modelos in vivo.
 
Implicações Clínicas para a Medicina Dentária
Estas investigações  reforçam a importância da Medicina Oral Preventiva e do controlo rigoroso da doença periodontal como uma estratégia potencial na redução do risco sistémico.
 
"A principal conclusão é a capacidade deste micróbio oral residir e persistir no tecido mamário, estabelecendo uma ligação direta entre um agente patogénico periodontal e a progressão oncológica," afirma o Dr. Sharma, investigador principal.
 
Embora sejam necessários mais estudos clínicos para determinar protocolos de intervenção específicos, estes dados sublinham o papel do médico dentista na equipa multidisciplinar de saúde, destacando a saúde periodontal como um fator determinante na homeostasia sistémica.
 
 
 
Fonte: Johns Hopkins Medicine
Foto: Unsplash/CCO Public Domain

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