O JornalDentistry em 2018-2-14

ARTIGOS

Estudo identifica a causa potencial da perda auditiva provocada pela Cisplatina

Os resultados de um estudo recente podem explicar por que muitos pacientes tratados com o fármaco de quimioterapia Cisplatina desenvolvem perda auditiva duradoura.

Os pesquisadores descobriram que, tanto em ratos quanto em seres humanos, a Cisplatina pode ser encontrada na cóclea - a parte do ouvido interno, meses e até anos após o tratamento. Em contraste, o fármaco é eliminado da maioria dos órgãos do corpo dentro de dias a semanas após a administração. 

O estudo, liderado por pesquisadores do National Institute on Deafness and other Communication Disorders (NIDCD), parte do National Institutes of Health, foi publicado no dia 21 de novembro de 2017 no Nature Communications. 

A Cisplatina, é um medicamento de quimioterapia à base de platina e é comummente usado para o tratamento de muitos tipos de cancro, incluindo de bexiga, ovário e testicular. Mas a Cisplatina e outras drogas semelhantes contendo platina podem danificar a cóclea, deixando 40% a 80% dos adultos e pelo menos 50% das crianças, com perda auditiva permanente significativa, condição que pode afetar muito a qualidade de vida. 

"Este estudo começa a explicar por que os pacientes que recebem a droga sofrem perda auditiva", comentou Percy Ivy, NCI’s Investigational Drug Branch, que não esteve envolvido no estudo. "Isso é muito importante, porque, quando entendemos como ocorre a perda de audição relacionada com a Cisplatina, ao longo do tempo, podemos descobrir uma maneira de bloqueá-la, ou pelo menos diminuir seus efeitos". 

Uma nova abordagem para pesquisar a perda auditiva induzida por Cisplatina 

O novo estudo difere da pesquisa anterior porque é um olhar abrangente sobre a farmacocinética, ou concentração da droga no ouvido interna, explicou o investigador Andrew Breglio, do NIDCD. 

A equipe de pesquisa usou principalmente uma técnica chamada espetrometria de massa de plasma acoplada indutivamente (ICP-MS) para quantificar a quantidade de platina retida no tecido do ouvido interna após o tratamento com Cisplatina em ratos. 

Lisa Cunningham, Ph.D., da NIDCD, que liderou a equipe de pesquisa, observou que, em vez de usar uma dose elevada de Cisplatina nos ratos ratos, como nos outros estudos, desenvolveram um protocolo de tratamento, em que a droga é ministrada em ciclos diários. 

O teste feito após cada ciclo de Cisplatina mostrou perda auditiva cada vez mais progressiva nos ratos. Os pesquisadores também mediram os níveis de platina em vários órgãos ao longo dos ciclos de drogas e descobriram que, enquanto outros órgãos eliminaram o fármaco com relativa rapidez, a cóclea manteve a Cisplatina, não mostrando perda significativa de platina 60 dias após a última administração do medicamento. 

Os pesquisadores também realizaram análises pós-morte do tecido do ouvido interno de pacientes humanos que receberam Cisplatina e descobriram que a platina se mantinha nas cócleas pelo menos 18 meses após o último tratamento. Além disso, eles descobriram que, na cóclea de um paciente pediátrico (o único disponível para estudo), manteve-se significativamente mais platina do que em pacientes adultos, consistente com o fato de que o ouvido interno das crianças são mais suscetíveis à perda de audição induzida por Cisplatina.

Tanto no modelo com ratos como nos estudos de tecido humano, os pesquisadores determinaram que a platina acumula-se numa parte da cóclea chamada estria vascular, o que como explicou Breglio, regula o líquido que banha as células ciliadas sensoriais do ouvido e é fundamental para a sua adequada função ". 

Esta longa retenção na cóclea pode explicar por que essa droga está danificando o ouvido interno. 

A investigação poderá levar ao tratamento e prevenção de perda auditiva, 

a descoberta de que a Cisplatina é mantida na cóclea indefinidamente é importante. 

A perda auditiva pela Cisplatina não é uma lesão estática, pode progredir ao longo do tempo e pode ocorrer mais tarde, sugerindo que um sobrevivente ao cancro, de longo prazo precisa de monitoramento contínuo à sua audição. 

 

Se os adultos desenvolverem perda de audição, estão mais conscientes disso, e são mais propensos a procurar ajuda, enquanto as crianças mais jovens que desenvolvem a perda de audição podem não se aperceber ou não saberem explicar o problema. Como eles não conseguem ouvir muito bem, podem ter problemas para prestar atenção e isso pode ser mal avaliado e atribuído como uma dificuldade de aprendizagem ou um problema de comportamento. E, no entanto, se eles recebem a intervenção apropriada, voltarão no mesmo nível tinham antes de receber platina. 

É por isso que pesquisadores da equipe do Dr. Cunningham estão a tentar encontrar maneiras de impedir que a Cisplatina entre no ouvido interno. Estudam e observam o mecanismo celular pelo qual a Cisplatina é absorvida pelas células da estria vascular para encontrar formas de bloquear a absorção, bem como identificar drogas que possam direcionar o Cisplatina para si, e prendê-lo antes que ele possa fixar-se no ouvido interno. 

Segundo o Dr. Cunningham a Cisplatina é um dos medicamentos anticancerígenos mais amplamente utilizados no planeta, e salva muitas vidas. Mas a perda auditiva é permanente ficando os pacientes que sobrevivem com perda de audição para o resto da vidas. O que gostaríamos de fazer é desenvolver uma terapia que permita que os pacientes tomem a droga “salva-vidas”, mas preservem a audição.

 

 

Fontes: Oral Cancer Foundation / National Cancer Institute  

www.cancer.gov/news-events

Artigo original: “Study Identifies Potential Cause of Hearing Loss from Cisplatin”


 

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