O JornalDentistry em 2019-3-10

ARTIGOS

Como o uso regular de analgésicos poderá aumentar as taxas de sobrevivência do cancro de cabeça e pescoço

Em pesquisas recentes, descobriu-se que a uso regular de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como aspirina e ibuprofeno triplicam a chance de vencer o cancro de cabeça e pescoço.

O uso regular de aspirina ou ibuprofeno pode aumentar as taxas de sobrevivência do câncer de cabeça e pescoço? 

Parece que é possível. 

Em pesquisa recente, os analgésicos comuns conseguiram triplicar a hipóteses de sobrevivência (de 25% a 78%) para pacientes com um tipo específico do cancro que contém um de gene alterado denominado, PIK3CA. Cerca de um terço dos cancros da cabeça e pescoço carregam esta mutação que também é encontrado noutros tipos de cancro. 

O cancro de cabeça e pescoço é diagnosticado atualmente em mais de 12.000 pessoas no Reino Unido a cada ano e em 65.000 nos Estados Unidos. Mata pouco mais de 4.000 pessoas no Reino Unido e 14.000 na América. Existem mais de 30 áreas na cabeça e pescoço, onde o cancro se pode desenvolver, como a boca e a garganta. 

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, São Francisco, analisaram as taxas de sobrevivência a cinco anos para as pessoas diagnosticadas com a doença e descobriram que o uso regular de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): como aspirina e ibuprofeno, melhorou significativamente a sobrevivência para um terço ou mais dos pacientes com a doença. 

Todos os pacientes tinham o gene mutado. Os AINEs, no entanto, não tiveram efeito sobre os tumores sem a mutação PIK3CA. O estudo incluiu 266 pacientes do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, cujos tumores foram removidos cirurgicamente. Ao todo, 75 tumores (28%) no estudo tinham alterações no gene PIK3CA. Entre os pacientes que usaram AINEs, 93% tomaram aspirina em algum momento e 73% só usaram aspirina.

De acordo com o Dr Jennifer Grandis, professor de cirurgia de cabeça e pescoço e autor sénior do estudo,os resultados sugerem que o uso de AINEs poderão melhorar significativamente os resultados para não só para pacientes com cancro de cabeça e pescoço, mas também pacientes com outros tipos de cancros com a mutação PIK3CA.

"A magnitude da vantagem aparente é forte e pode ter um impacto positivo na saúde humana".

Os pesquisadores consideram que o uso regular de NSAIDs por pelo menos seis meses proporcionou uma sobrevida "acentuadamente prolongada" em comparação com pacientes cujo gene PIK3CA sofreu mutação e não usaram AINEs. Sugerem que os AINEs são possivelmente um bloqueio do crescimento, reduzindo a produção de uma molécula inflamatória chamada prostaglandina E2.

Para algo tão simples, parece bom demais para ser verdade. Seria muito fácil e barato tratar os pacientes, mas ainda há um caminho a percorrer.

São ainda precisos muitos testes como prova de que o que é apenas uma teoria realmente funciona na prática.

 

Fonte:  Oral Cancer Foundation/www.mirror.co.uk

Autor:  Miriam Stoppard

Artigo OCF:  "How regular use of painkillers could boost survival rates from cancer"

 

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