JornalDentistry em 2023-3-09

CONVIDADOS

Com trabalho e dedicação podemos fazer a diferença

Foi com muito orgulho e entusiasmo que recebi a distinção feita pelo Global Summits Institute, peer to-peer top 100 mundial, em 2022.

Dra. Ana Sofia Lopes, médica dentista.

Orgulho, pois é o reconhecimento de um percurso académico e clínico, árduo e exigente, desde 2000. Entusiasmo, pois foi um elixir que me reforçou as energias para continuar a acreditar que merece a pena tanto sacrifício. 

Este reconhecido instituto distingue os profissionais na área da saúde, designadamente no ramo da medicina dentária, 

que sejam exemplo de excelência clínica, inovação, pesquisa, liderança organizacional e empreendedorismo, tendo como finalidade inspirá los, encorajá-los, capacitá-los, dando-lhes mais palco para trazer solidariedade para o setor global de saúde por meio de sistemas sustentáveis. 

Tem como ideal criar um “Think Tank” global de profissionais de saúde que exemplifiquem excelência clínica, inovação, pesquisa, liderança organizacional e empreendedorismo. Tem como foco maximizar o networking entre médicos em cúpulas interdisciplinares globais para troca de informações e colaboração entre médicos, assim como preservar a sagrada relação médico-paciente, mediante novos pensamentos e abordagens. 

O lema: a constante aprendizagem e saber transmiti-la de uma forma simples, humilde e com a devida sabedoria, claro... Tem como pano de fundo todos os pensamentos benéficos para a evolução da profissão que decidi abraçar. 

O contacto com colegas de todo o mundo, porque cria sinergias importantes, é o caminho que, a meu ver, devemos seguir; com o pensamento de que estamos a levar Portugal connosco. 

Este reconhecimento, dado pelo Global Summits Institute, reforçou o meu sentimento de responsabilidade, sendo que poder comunicar, trocar ideias-chave, desenvolvê-las, dar e receber no sentido de evolução profissional e humana é algo que gosto muito de fazer, dado que ficamos sem dúvida mais ricos. 

Falando um pouco na minha caminhada na medicina dentária, desde muito nova que tive um inexplicável chamamento para colocar sorrisos no rosto das pessoas, daí a minha paixão pelo que faço. 

Terminei o curso em 2000 e comecei a dedicar-me mais à ortodontia, onde fiz vários cursos de formação. Em 2013, decidi alterar o meu rumo profissional e apostar seriamente na especialização, e o caminho a seguir seria a cirurgia oral e a implan- tologia. Estive três anos na Universidade de Nova Iorque. Foi uma experiência muitíssimo exigente, em termos pessoais, pois obrigou-me a estar longe dos meus filhos, mas, ao mesmo tempo, foi muito gratificante; creio ter regressado com uma visão diferente, mais preparada para o mundo e, sem dúvida, mais forte. Sou especialista em Cirurgia Oral pela OMD e, neste momento, estou a fazer o doutoramento na FMDUL com um tema inovador que, de certeza, trará algo mais à implantologia. A ciência é muito importante para mim, no que puder contribuir para a sua evolução, contem comigo, pois aqui estarei! O facto de estar a fazer o doutoramento tem-me dado uma visão mais ampla, mais alargada, da ciência e tecnologia e da evolução que tem de ser perseguida em Portugal. Neste sentido, dá-nos muitas armas para reforçarmos o nosso conhecimento, o que é algo que aconselho a experienciarem. 

Fora da medicina dentária, como gosto muito de “ouvir” o mundo, estou ligada a associações de carácter social, como a Zero Desperdício, a SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, onde colaboro no observatório da saúde e ação social, e a PASC – Casa da Cidadania, onde mensalmente organizamos conversas, debatendo sobre os Estados em situações mais preocupantes. Na SEDES, no observatório da saúde, foi realizado com um grupo de colegas médicos dentistas e estomatologistas um documento, no qual reforçamos os problemas da saúde oral e onde são evidenciadas recomendações direcionadas ao Governo. Todo o trabalho realizado por este grupo tem sido elaborado com muita dedicação e com a espe- rança de que muito pode mudar na saúde oral. 

Escrevo também no Observador artigos sobre alguns assuntos que considero pertinentes no momento, assim foi com a injustiça que nos perseguiu com o tema da radiologia. A vontade de chegar a uma medicina dentária mais digna e sustentá- vel tem sido uma preocupação muito grande para mim e para muitos colegas que me rodeiam, e nesse sentido temos tenta- do “socorrer” muitos que se encontram numa fase de muitas dúvidas, descontentamento e que se encontram extremamente desanimados. Pois a eles digo: Força! Tudo se vai resolvendo. 

Outra paixão que tenho, um pouco mais recente, é a escrita para crianças. Publiquei dois livros infantis, com intuito mera- mente filantrópico. As receitas do primeiro livro, “A borboleta que queria voar mais alto”, já estão a ajudar na construção de uma escola numa zona muito pobre da Índia, Vrindavan, e as do segundo, “A Fuga de Frank”, estão a apoiar dois centros de crianças órfãs de guerra e com necessidades especiais na Ucrânia. 

De momento, pretendo concluir o meu doutoramento, seguir os meus desígnios na medicina dentária, continuar com a escrita e com a ação humanitária. 

E para os dois colegas portugueses que obtiveram a mesma distinção, dedicados à endodontia, Miguel Matos e Hugo Sousa Dias, algumas palavras: fiquei muito feliz e creio que realmente são excelentes profissionais! Estaremos juntos na Sardenha em breve! 

 

 

 

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