O JornalDentistry em 2018-9-20

EDITORIAL

"A Regra dos Três Segundos"

Bom regresso de férias. Não sei como acontece com os restantes cole- gas, mas eu avalio o meu ano profissional, a finalizar em Julho e a arrancar um novo em Setembro, quase como se dum ano letivo se tratasse.

Célia Coutinho Alves, DDS, PhD, médica dentista doutorada em periodontologia, diretora do "O JornalDentistry"

Talvez pela relação com as faculdades, primeiro como aluna, de pós-graduação e de doutoramento, depois como docente - talvez por isso me tenha ficado esta organização mental. 
Setembro é o mês de planear o próximo ano de trabalho, de formações, de congressos, de traçar objetivos. É o mês em que, depois da energia res- tabelecida, da cabeça limpa e da experiência de mais um ano acumulada, se traz para o dia-a-dia o propósito da implementação de metas ainda por atingir. 
Vivemos a velocidade acelerada, à distância dum clique, em muitas áreas sociais da nossa vida e a profissão não deixa de ser o reflexo disso mesmo. A tecnologia entra-nos pelos consultórios dentro a uma velocida- de e “taxa de substituição” impressionantes e o que é verdade e último grito hoje está ultrapassado amanhã. Daí o meu propósito, e que queria partilhar convosco: no meio de tanta oferta tecnológica, gadgets, de apli- cações para nos ajudar a fazer mais rápido e pior o que nós levamos anos a aprender a saber fazer mais devagar e melhor, é preciso parar e usar a regra básica da meditação – esperar três segundos. Tenho assistido muitas vezes em congressos e conferências a apresentações de casas comerciais e demonstrações de procedimentos/tecnologia sob a bandeira da inovação/ tecnologia, que não são mais do que formas tecnologicamente avançadas de complicar procedimentos simples para os tornar mais rápidos (e muitas vezes nem isso), mas com resultados piores do ponto de vista do que con- seguimos “entregar/executar” aos nossos pacientes. 
Não quero com isto dizer que não temos que incorporar no nosso dia- -a-dia toda a mais-valia do mundo micro e digital que está aí, muito pelo contrário! O que alerto é para o fazer conscientemente depois de analisa- dos, comparados, filtrados pela opinião, idealmente de quem já os testou na prática clínica. O privilégio no tratamento deve ser dado aos procedi- mentos mais simples, mais rápidos, menos invasivos e que determinem menos complicações. Nem sempre o plano de tratamento ideal consegue incorporar estas quatro premissas, mas seguramente o caminho do micro e do digital têm na sua essência a contribuição para se atingir estes objeti- vos. Depois há que não esquecer que tratamos dentes em bocas de seres humanos. Há que respeitar a biologia, os tempos de cicatrização, e a indi- vidualidade de cada um. E não esperar que tudo funcione igual em todos. Daí que dominar várias técnicas, ter várias tecnologias disponíveis, várias ferramentas e trabalhar em equipas multidisciplinares possa mostrar-se o caminho certo na hora de responder ao desafio de diferentes pacientes. 
E na hora de escolher tecnologia, investimentos, novas formas de fazer, respondam primeiro a esta pergunta: Com esta nova forma de fazer, consi- go prestar um melhor tratamento ao meu paciente? Vai ser mais simples, mais rápido, menos invasivo ou determinar menos complicações? Então avancem. Sempre em benefício da qualidade do tratamento do paciente. 

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OJD 56 NOVEMBRO 2018

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