JornalDentistry em 2026-4-04

TENDÊNCIAS

"Dificuldades financeiras para cuidados com a saúde oral elevam o risco de doenças cardíacas e demência."

Um novo estudo conclui que os idosos que não conseguiam pagar os tratamentos dentários necessários tinham maior probabilidade de sofrer insuficiência cardíaca, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) ou demência.

O estudo de coorte, publicado no The Journals of Gerontology (Series A) por investigadores da Boston University e UCSF, estabelece uma correlação direta entre a inacessibilidade financeira a tratamentos dentários e o risco aumentado de patologias sistémicas graves em idosos.

“O custo é uma das principais barreiras ao acesso aos cuidados dentários”, afirma a autora principal do estudo, Mabeline Velez, instrutora de políticas de saúde e investigação em serviços de saúde na BUSPH e candidata a doutoramento na Escola de Medicina Dentária Henry M. Goldman da Universidade de Boston.

“Como resultado, as pessoas adiam frequentemente os cuidados essenciais ou aceitam a cobertura disponível, que pode incluir medidas mais drásticas — como a extração de um dente — do que as clinicamente indicadas. A perda dentária, especialmente no início da vida, pode causar uma série de problemas de saúde mais tarde, incluindo o aumento da mortalidade. Encontrar formas de tornar os cuidados dentários mais acessíveis e acessíveis a todos é uma medida preventiva que podemos tomar para melhorar os resultados de saúde no futuro.”


Metodologia e Dados

Utilizando dados do programa All of Us (NIH), a equipa analisou uma amostra superior a 88.000 indivíduos (≥ 55 anos), cruzando registos eletrónicos de saúde com inquéritos sobre necessidades de cuidados orais não satisfeitas por motivos económicos.

Principais Conclusões

Associação Sistémica: A incapacidade de suportar custos dentários está associada a uma maior incidência de insuficiência cardíaca, enfarte agudo do miocárdio (EAM), AVC e demência.

Impacto Populacional: Estima-se que a eliminação de barreiras financeiras ao acesso à medicina dentária poderia prevenir entre 2% a 4% dos casos destes desfechos clínicos na população idosa.

Fatores de Confusão: À exceção do AVC, as associações atenuaram-se após o ajuste para variáveis socioeconómicas e comportamentais, sugerindo que o acesso financeiro é um marcador crítico de vulnerabilidade sistémica.

Implicações Clínicas e de Saúde Pública

Cuidados Reativos vs. Preventivos: O custo leva os doentes a adiar tratamentos ou a optar por medidas radicais (extrações) em detrimento de abordagens conservadoras/preventivas, exacerbando a perda dentária precoce e a mortalidade.

Oportunidade Diagnóstica: A consulta de medicina dentária é reafirmada como um ponto estratégico para o rastreio de fatores de risco (hipertensão, diabetes).

Mecanismos Biológicos: O estudo reforça a hipótese da periodontite e da inflamação crónica como elos fisiopatológicos entre a saúde oral e a integridade cardiovascular/neurológica.

 

A acessibilidade económica à medicina dentária não é apenas uma questão de equidade, mas uma estratégia de medicina preventiva essencial para reduzir o fardo das doenças crónicas não transmissíveis.

 

 

Fonte: Boston University

Foto: Unsplash/CCO Public Domain

 

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