JornalDentistry em 2025-10-11
Não posso concordar com metas na área da saúde. Quando falamos de procedimentos clínicos, não há ética que sobreviva à lógica da produção em série
“Imaginem metas na cardiologia, na oncologia ou na nefrologia.
Alguém aceitaria ser mais um número nessas especialidades?”
Imaginem metas na cardiologia, na oncologia ou na nefrologia. Alguém aceitaria ser mais um número nessas especialidades, só para ajudar a fechar a planilha de produção?
Talvez por o risco de morte ser baixo na odontologia alguns se sintam à vontade para transformar procedimentos clínicos em metas financeiras. Mas não se engane: ainda que o risco vital seja menor, toda a intervenção é invasiva e afeta um organismo vivo. E o que é alterado, nem sempre se recompõe em toda a sua plenitude.
Sonho com o dia em que todos os profissionais reflitam com profundidade sobre a real necessidade de cada procedimento. Sonho com uma saúde que trate pessoas, não que as transforme em ativos.
Talvez esse sonho não encontre espaço neste mundo onde a faturação do mês passou a ser o centro das atenções, o objetivo maior de quem se ocupa mais com números do que com a oportunidade de cuidar de quem nos confiou a sua saúde.
Mas continuo a sonhar. Os sonhos são particulares, já o direito de discordar, é de todos. Até à próxima.
Dr. Celso Orth Graduado em Medicina Dentária - UFRGS; MBA em Gestão Empresarial - Fundação Getulio Vargas; Educador Físico - IPARS; Membro Fundador da Academia Brasileira de Odontologia Estética; Membro Honorário da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética; Palestrante de Gestão na Prestação de Serviços na área da saúde; Reabilitador que trabalha em tempo integral na Clínica
Orth - Rio Grande do Sul - Brasil. Para enviar questões e solicitar esclarecimentos: [email protected]
A integração da Inteligência Artificial (IA) na medicina dentária na União Europeia.