JornalDentistry em 2025-10-08
O pó à base de morina, extraído das folhas de goiaba, casca de maçã e figueira, pode ser libertado lentamente com a ajuda de polímeros e servir de alternativa aos antibióticos.
Um pó à base de morina, um composto natural extraído de plantas como as folhas de goiaba, cascas de maçã e figo, certos chás e amêndoas, demonstrou efeitos antimicrobianos, anti-inflamatórios e antioxidantes contra bactérias causadoras de doenças periodontais. Espera-se que a substância, libertada de forma controlada através de polímeros, ajude nos tratamentos não cirúrgicos como alternativa aos antibióticos para o controlo de microrganismos.
Em estudos laboratoriais in vitro, investigadores da Faculdade de Odontologia de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (FOAr-UNESP), no Brasil, testaram a morina num biofilme multiespécie formado por várias espécies de bactérias que simularam os efeitos da doença na gengiva dos pacientes.
No caso da morina, o desafio era otimizar o que o grupo tinha desenvolvido até então, tornando-o mais atrativo para potenciais doentes e, ao mesmo tempo, desenvolvendo algo escalável para a indústria.
"Pretendemos também oferecer uma alternativa aos produtos atualmente disponíveis no mercado que não satisfazem a procura por apresentarem alguns efeitos secundários relatados pelos pacientes, como alterações no paladar e aumento da formação de tártaro, bem como manchas nos dentes com o uso prolongado", acrescenta Brighenti.
"Começámos a desenvolver estes sistemas sob a forma de comprimidos, filmes e micropartículas. Mas, até então, eram demasiado grandes e inviáveis para uso oral. No meu doutoramento, tentámos melhorar estes produtos, tornando-os mais pequenos. Por isso, desenvolvi este formato, que se parece com leite em pó. Preparei uma solução contendo alginato de sódio e goma gelana para encapsular a morina num sistema de libertação controlada, que já é amplamente utilizado para medicamentos, mas ainda não é amplamente utilizado na medicina dentária", explica Sales.
A doença periodontal ocorre quando há acumulação de biofilme ou placa bacteriana, uma película pegajosa formada por bactérias e restos de alimentos que se acumula nos dentes.
A periodontite, uma forma grave de doença periodontal, é considerada a sexta condição crónica mais comum em todo o mundo. Em casos ligeiros, pode ocorrer hemorragia. À medida que a doença progride, pode levar à perda de dentes.
Uma higiene oral adequada, incluindo escovagem, uso de fio dentário e uso de dentífrico com flúor, pode reduzir consideravelmente este risco.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2022, quase metade da população mundial (45%) sofre de doenças orais, totalizando aproximadamente 3,5 mil milhões de pessoas.
Os investigadores planeiam continuar a testar a morina, primeiro em modelos animais e, mais tarde, em estudos clínicos para investigar as suas outras propriedades.
"Observamos a olho nu que o biofilme in vitro tratado com morina em laboratório é menos manchado do que quando tratado na sua forma livre. Portanto, é possível que haja uma vantagem: este sistema ajuda a prevenir a descoloração dos dentes. Também precisamos de testar, por exemplo, se a morina mantém o equilíbrio da cavidade oral, pois não queremos eliminar todas as bactérias da boca dos pacientes", afirma Brighenti.
Fote: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo / ScienceDaily
Foto: Unsplash/CCO Public Domain