JornalDentistry em 2025-6-27

ARTIGOS

Ligação entre depressão e menor diversidade do microbioma oral

Uma mistura rica e variada de microrganismos na boca, especialmente bactérias, não é apenas importante para a saúde oral, mas pode também fornecer pistas sobre outras condições de saúde.

Um novo estudo liderado por investigadores da NYU Rory Meyers College of Nursing revela que uma menor diversidade de microrganismos na boca está associada à depressão. O estudo foi publicado na revista BMC Oral Health.

A boca abriga entre 500 mil milhões e 1 bilião de bactérias — a segunda maior comunidade de microrganismos do nosso corpo, a seguir ao intestino. Um número crescente de estudos aponta para a ligação entre o microbioma oral e a saúde geral, desde a diabetes até à demência, numa relação que se pensa ser impulsionada pela inflamação e por alterações no sistema imunitário.

Um estudo recente em ratos encontrou uma possível ligação entre a depressão e a diversidade de bactérias no intestino, mas pouco se sabe sobre a relação entre o microbioma oral e a depressão.

"Compreender melhor a relação entre o microbioma oral e a depressão pode não só ajudar-nos a perceber os mecanismos subjacentes à depressão, como também contribuir para o desenvolvimento de novos biomarcadores ou tratamentos para distúrbios do humor", afirmou Bei Wu, vice-reitora de investigação na NYU Rory Meyers College of Nursing e autora sénior do estudo.

Para explorar a ligação entre o microbioma oral e a depressão, os investigadores analisaram dados de inquéritos e amostras biológicas do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), conduzido pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.

Utilizando dados de mais de 15.000 adultos norte-americanos com 18 anos ou mais, recolhidos entre 2009 e 2012, os investigadores compararam questionários que avaliavam sintomas de depressão com amostras de saliva. A sequenciação genética foi usada para identificar os microrganismos presentes na saliva e medir a diversidade do microbioma oral.

Os investigadores descobriram que pessoas com menor diversidade no microbioma oral tinham maior probabilidade de apresentar sintomas de depressão. Análises adicionais mostraram que o tabagismo, o consumo de álcool e os cuidados dentários — todos fatores que podem alterar a composição bacteriana da boca — influenciaram a relação entre o microbioma oral e a depressão.

Estes resultados sugerem que, com mais investigação, o microbioma oral poderá vir a ser utilizado para diagnosticar ou tratar a depressão. No entanto, com base neste estudo, não é claro se a diversidade de microrganismos na boca influencia a depressão, se a depressão leva a alterações no microbioma oral, ou se existe uma relação bidirecional entre ambos.

"É possível que o microbioma oral influencie os sintomas depressivos através da inflamação ou de alterações no sistema imunitário. Por outro lado, a depressão pode provocar mudanças como alterações na dieta, má higiene oral, aumento do consumo de tabaco e álcool, ou uso de medicamentos — todos estes fatores podem alterar o microbioma oral", explicou Wu. "Precisamos de mais investigação para compreender a direção e os mecanismos subjacentes a esta relação."

"Este trabalho faz parte de um esforço mais amplo para entender como o microbioma oral influencia não só a saúde mental, mas também o declínio cognitivo e o aparecimento da demência", acrescentou.

 

 

Fonte: New York University / MedicalXpress

Foto: Unsplash/CCO Public Domain

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