JornalDentistry em 2026-2-24
Atrevo-me a dizer que vivemos numa época em que nos comparamos demasiado e demasiadas vezes. A vida exposta e expressa através do digital é, quase sempre, redutora quando não mesmo enganadora.
Célia Coutinho Alves, DDS, PhD, médica dentista doutorada em periodontologia.
Com a agravante de estarmos a comparar os nossos maus momentos ou dificuldades com as “vidas perfeitas” que os outros nos mostram. Comparamos-mos às suas férias perfeitas, jantares memoráveis, famílias ideais, clínicas cheias, casos de livro. Mas nunca vemos as suas dúvidas, inseguranças, os seus momentos de fraqueza, as suas dificuldades ou dias maus, os seus casos de insucesso. Somos ótimos a sobrevalorizar a felicidade dos outros e a subvalorizar a nossa.
E, por isso, começámos, muitas vezes, cada ano, a sentir que estamos a ficar para trás. Porque comparamos o pior de nós, com o melhor que vemos nos outros. No que eles expõem, sem contextualização. Sem perceber a certeza de que cada vida é custom made. Somos incomparáveis e estamos aqui para ser a melhor versão de nós próprios.
O progresso é silencioso e, a maior parte das vezes, lento. E, se às vezes, parece mais lento, pode ser por que o peso que carregamos é maior. Ou apenas porque desenhamos uma expectativa mais acelerada na linha da vida. Neurocientistas descobriram que os seres humanos atuais sentem uma condição que denominaram como stress comparativo do temporal.
Para além de se compararem aos outros, comparam-se constantemente à ideia daquilo que pensam que os próprios deveriam ser, e ainda não são.
Não porque quando planeamos a nossa vida não a planeamos bem. Mas porque simplesmente não contamos com a imprevisibilidade de sermos humanos.
Este mês lanço um desafio que eu própria aceitei inspirada por Jay Shetty.
1. Compararmo-nos menos e conectarmo-nos mais. A pergunta que faz a diferença não é onde estou eu comparada com os outros, mas onde estou eu hoje comparada com ontem? O mindset do progresso está na evolução pessoal ao ritmo possível.
2. Reescrever a nossa linha do tempo. Perceber aquilo a que sobrevivemos, o que aprendemos, o que construímos por dentro que ninguém consegue ver. O processo interno do progresso é invisível aos outros. E é o que antecede os resultados.
3. Identificar a fase da vida em que estamos. Estamos numa fase de aprendizagem, de reconstrução, de transição, de experimentação, de descanso? Cada fase tem o seu ritmo e cada um de nós está numa fase diferente.
4. Definir progresso como consistência e não como velocidade. Porque o progresso é uma direção, não um deadline. Um passo por dia são 365 passos mais à frente ao final do ano.
5. Perguntar a pergunta certa: para o que é que esta fase me está a preparar? Aceitar que o universo sabe sempre o que faz é um ato de fé, mas também de profunda sabedoria. Aquilo que nos parece ser um falling behind é, muitas vezes, um falling into place.
E com estes cinco pontos de partida refletidos proponho outras tantas medidas para os implementar: 1. Definir em que fase da vida estamos e, com essa clareza, não nos compararmos a outros em fases bem diferentes. 2. Remover três contas digitais que promovam comparação. 3. Definir algum objetivo a 90 dias e não no ano. Encurtar os ciclos promove pequenas vitórias. 4. Medir as ações e não os resultados. Porque fazer o trabalho é o que faz, um dia, aparecer o resultado. Os resultados pertencem ao tempo, só as ações pertencem a ti. 5. Celebra o progresso invisível. O teu e o dos teus. Nunca estamos atrás de ninguém, estamos só a aprende agora o que outros terão de aprender mais tarde.
Célia Coutinho Alves, Médica Dentista Especialista em Periodontologia pela OMD, Doutorada em Periodontologia pela Universidade Santiago de Compost