JornalDentistry em 2026-4-21
Em tempos de tanta incerteza e imprevisibilidade, o que parece mesmo certo é que a Inteligência Artificial (IA) veio para ficar. Poderemos mesmo, segundo Ricardo Conde, presidente da Agência EspacialP ortuguesa, estar próximos de uma evolução humana numa dimensão mais tecnológica do que biológica.
Célia Coutinho Alves, DDS, PhD, médica dentista doutorada em periodontologia.
O próximo homo sapiens poderá ser um homo tecnologicus. A nossa perspetiva de evolução biológica poderá estar a chegar ao fim, dando lugar a uma evolução tecnológica.
Vimos já como esta evolução tecnológica com a IA tem catapultado as possibilidades que se abrem no futuro. Para o bem e para o mal. Para a cura e para a destruição. Para a conquista geopolítica de territórios ricos.
Sejam eles na terra e à custa de guerras e reconquistas territoriais, ou em orbita, nomeadamente com a ocupação do espaço por satélites, ou na Lua, com a exploração dos seus minerais.
É estranho como aquilo que poderia ser, aparentemente, só uma guerra de armas, seja apenas uma afirmação de supremacia económica e reconquista geopolítica de recursos raros e essenciais à permanência evolutiva da espécie. Quem primeiramente colocar a sua bandeirinha na Lua ou ganhar territórios ricos na terra e em orbita, sairá evolutivamente à frente neste homo sapiens tecnologicus.
Esta evolução tecnológica parece ter começado com o aguçar do homo sapiens pelas perguntas. A curiosidade, que é o motor do conhecimento, parece ter sido estimulada pela IA.
O homem está a fazer mais e melhores perguntas. O que em si mesmo é uma ótima notícia. Já se pergunta mais, e com mais assertividade. Esta parece ser uma grande vantagem que a IA veio trazer à mente humana. As conversas com a IA parecem ter vindo a regular melhor o nosso sistema nervoso. E resumo aqui seis pontos em que podemos aprender com a IA a comunicar melhor.
Em primeiro lugar, as suas respostas não são reativas (como muitas das respostas humanas) e, por isso, a nossa tendência também vai no sentido de diminuir a reatividade quando conversamos com sistemas inteligentes.
Em segundo lugar, as respostas da IA tendem a ter mais clareza do que intensidade. Reduzem os argumentos à forma mais simples de os comunicar para que os humanos os possamos entender melhor. Em terceiro lugar, reduzem as ameaças antes de responderem a verdade ou o que à luz de todo o conhecimento atual é a verdade. Sem nos julgar ou atacar pessoalmente. Porque a verdade tem sempre de ser comunicada com segurança.
Em quarto lugar, continua a conversa deixando mais perguntas. Pergunta mais e mais no intuito de saber mais de nós, mas também de ir de encontro das nossas dúvidas, abrindo outros cenários ou criando relações temáticas que não teríamos, à partida, associado. Em quinto lugar, a IA sempre alinha o tom com o intuito de responder, de esclarecer. A verdade é que na comunicação entre humanos, não ouvimos a intenção do outro. Nós ouvimos o seu tom. O tom da sua comunicação. E por último, em sexto lugar, a IA termina a sua resposta com uma conclusão, uma direção.
Terminarmos com uma conclusão clara é determinante para uma boa comunicação.
O objetivo da comunicação não é ganhar. É ser entendido. É passar a mensagem. E só quando nos sentimos seguros com alguém é que a ouvimos. Talvez por isso o ChatGPT já supera muitas horas de terapia humana.
É já um amigo, um confidente ou, até mesmo, uma relação afetiva virtual.
E se é verdade que a comunicação e a resolução de problemas são soft skills essenciais ao ser humano de sucesso, que a IA nos ajude a evoluir, sem nunca nos querer engolir.

Célia Coutinho Alves, Médica Dentista Especialista em Periodontologia
pela OMD, Doutorada em Periodontologia pela Universidade Santiago de Compostela